Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

jorna

jaccuse.jpg

A leitura de jornais do século XIX proporciona sempre revelações extraordinárias. A minha devoção por estas leituras é vitalícia. Desde miúdo, muito antes de me dedicar às coisas da história – essa malograda erudição do inútil materialismo causal – que o apetite pelas páginas bafientas dos jornais antigos me alicia. Encontrei nelas demasiadas lições de vida como a resistência anti-napoleónica, anti-liberal ou anti-monárquica e acabaria mesmo a escrever um texto maior sobre o activismo anti-fascista nos jornais de língua portuguesa. A todos estes estudos dediquei sempre um enlevo – por vezes inoportuno – que anda sempre comigo. Mas nenhuma destas dezenas de histórias me hipnotiza mais do que a novela do caso Dreyfus, que segui com uma atenção enorme em muitos dias de leitura na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, há vinte anos atrás. (Minto. Talvez outras duas me tenham suscitado igual hipnose: o rapto do filho de Lindbergh e o caso Rosenberg). Mas o caso Dreyfus, que termina em 1992 com o famoso pedido de desculpas do exército francês, pude eu segui-lo com a mesma observância, com que os leitores o seguiam no virar do século, especialmente depois do tonitruante “J’accuse” de Zola, pelo qual foi condenado e exilado. A história de Dreyfus é conhecida de todos e não a recordo aqui. Apenas a refiro como uma das que mais edificou aquilo que sou e sinto sobre muita coisa. Depois dela, nem Kafka, nem Beckett, nem Orwell, letras que tanto prezo, me ensinaram nada de realmente importante.
publicado por Rui Correia às 13:28
link deste artigo | comentar | favorito
8 comentários:
De Co a 18 de Julho de 2008 às 19:42
isso mesmo, Paulo: aqui toda a gente se r(u)i.
De Paulo G. Trilho Prudencio a 18 de Julho de 2008 às 13:50
quem passe por aqui agora não entende a relação entre o meus 2 primeiros comentários. quando inseri o primeiro, a coisa apareceu repetida 6 vezes; por isso, escrevi o segundo: "não é que pense que o Rui esteja surdo, mas apenas constatei que a coisa pirou";
nunca vi essa coisa da família Prudêncio nem tenho a mínima ideia do que se trata: passei a infância e a adolescência sem televisão: a sério; a ideia de enterrar o lixo e de ser prudente e de o repetir todos os dias agrada-me; a repetição do Daniel pode estar relacionada com o que levou às 6 repetições referidas, coisa que o Rui fez o favor de apagar;
também gostei muito da ideia do Daniel: "como cão faço os meus trilhos"
fizeram-me rir. obrigado e um abraço.
De Rui a 18 de Julho de 2008 às 12:22
Cãostato que és um tipo provocãote. Cãoplicas tudo. Quer-se dizer: és um gaijo cãoplexo, mas cãopetente, cãocedo-te isso. Aliás, até cãopreendo a tua cãoversa, cãofirmo cão toda a cãosideração que te cãosagro, (cãotigo cãovem-me ter alguma cãopaixão, por seres meu cãoparsa). Enfim, cãocluo cãobinando cãotigo umas cãodições, uma cãocordata, ou melhor um cãocurso. Como és de cãofiança, faço-te uma cãofidência. Cãofesso-te que tenho os teus cãotactos e que se cãopulsivamente te metes em cãofusões - cãotenciosos, vá - cãospurcando cãosensos e cãotraíndo cãoflitos com os cãopanheiros que cãoparticipam neste cãoclave - no fundo é um cãoclave, um cãocílio, pronto - eu cãogemino uma cãospiração tal que hás apanhar uma cãogestão de cãosequências cãosideráveis. Cãota cão isso, cão.
De Co a 18 de Julho de 2008 às 12:16
como cão, faço os meus trilhos...
De Rui a 18 de Julho de 2008 às 00:53
O raio do cão que passa a vida a provocar. És um provoCÃOzão!
De Co a 18 de Julho de 2008 às 00:02
Lembras-te daqueles desenhos a preto-e-branco (como a memória da infância, não a infância mesma) que na infância a TV dava da Família Prudêncio?
Aqueles que enterravam o lixo e eram prudentes?
Também repetiam todos os dias aquilo.
Ora, o Paulo é Prudêncio, não é?
Ora, o Paulo é Prudêncio, não é?
Ora, o Paulo é Prudêncio, não é?
Ora, o Paulo é Prudêncio, não é?
De Paulo G. Trilho Prudencio a 17 de Julho de 2008 às 22:02
não, não estou a pensar que estás a ficar surdo. a coisa pirou. abraço.
De Paulo G. Trilho Prudencio a 17 de Julho de 2008 às 22:01
...assunto marcante numa obra prima da literatura: um livro que dá uma vida. coisas belas. abraço.

Comentar post

pesquisa

 

arquivo

nós

Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
31

t&d
t&d