Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

noreply

Recebi um segundo email de um novo amigo que não conheço. É o noreply. Ou seja um amigo que me diz que não vale a pena responder que ele não vai ouvir. Ora abóbora. Amigos assim não nos servem para nada. Nós gostamos é dos amigos que estão dispostos a escutar e a conversar. Noreply é, portanto, um cognome adequado para este meu novo amigo. Mas ele é assim. Não me presta para nada. Neste último email diz-me que tem 9 coisas boas para eu ler. Eu li. Excedeu-se. Não é fácil escrever aquilo. Nesta altura do campeonato, não é fácil apresentar 9 medidas que não tragam nada. Absolutamente nada. Vejamos:

"Garantir que os professores, sempre que o requeiram, possam ser avaliados por avaliadores da mesma área disciplinar"

A ideia pela qual isto mereça "aperfeiçoamento" é tão incrível que custa aceitar como foi possível conceber coisa diferente disto.

"Não considerar o parâmetro referente ao progresso dos resultados escolares e
à redução das taxas de abandono escolar"


Nunca isto foi aceitável por tão pobre e patético. É que não há ninguém que defenda publicamente a relação entre as notas dos professores e as dos alunos ou as taxas de abandono. Patético porque para além de parecer uma boa ideia para amadores de gabinete ou académicos pataratas ninguém se atrevia a regulamentar esta relação Por serem tão gigantescas as variáveis que provocam umas e outras.

"Alargada a possibilidade de agregação de todos os itens e subparâmetros"

Isto é uma soma de coisa nenhuma por se perceber a inviabilidade óbvia da sua aplicação. Esta gente acredita mesmo que reduzir parâmetros "simplifica" a coisa.

"Dispensar, em caso de acordo, a realização de reuniões entre avaliador e
avaliado"


Refere-se isto apenas à reunião dos objectivos individuais. Eu disto até tenho medo. Se há coisa relevante é que estas reuniões ocorram. E bem. Agora, a verdade é que o difícil fica por fazer: nada é dito sobre a quantificação na definição dos mais relevantes objectivos individuais. A não ser que se pretenda uma soma de generalidades inverificáveis.

"Tornar voluntária a avaliação da componente científico-pedagógica"

Isto é três coisas péssimas: Ninguém se atreve a dizer onde começa ou acaba a dita "componente cientifico-pedagógica". Depois, torná-la facultativa é de rebolar a rir, numa avaliação de professores, para quem tudo é "componente cientifico-pedagógica". Finalmente, é uma falácia porque a "componente cientifico-pedagógica" é indispensável para atingir os níveis de "Muito bom" e "Excelente". Voltamos ao mesmo, portanto. Ou, de outro modo, nada.

"Reduzir o número mínimo de aulas a observar"

De três para duas é muito vantajoso, reconheço-o porque serve para evitar pagar horas extraordinárias dos avaliadores. Depois, mais uma vez, é uma falácia por que é indispensável a terceira aula para conseguir os níveis de "Muito bom" e "Excelente". Voltamos ao mesmo, portanto. Ou, de outro modo, nada.

"Clarificar o regime de avaliação dos avaliadores"

"Clarificar" é um eufemismo divertido. O que se passa é que os avaliadores passama ser apenas avaliados apenas pelos Directores, que aliás os nomeiam. Antigamente os avaliados tinham alguma coisa a dizer sobre os avaliadores. Já não. Tudo se compõe para criar uma parentela interna bem domesticada e caciquista.

"Alargar as acções de formação contínua consideradas na avaliação"

Nada sai "alargado" disto. Isto apenas regulamenta aquilo que os desgraçados dos Directores dos Centros de Formação tiveram de fazer mal perceberam a asneira que o ministério gerara, obrigando-os a classificar de repente todas as acções de formação. Indizível o desplante.

"Melhoria das condições de trabalho para os avaliadores"

A divisão de professores continua. O ministério alicia os coordenadores de departamento com horas extraordinárias e menos horas de aulas. Plain and simple.

Aqui há dias o meu amigo disse-me para ir a correr escrever os meus objectivos individuais num computador. Quando li aquilo só pensei numa coisa: no reply.
publicado por Rui Correia às 16:17
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1 comentário:
De josemota a 27 de Novembro de 2008 às 14:47
Esse noreply é uma grande melga. Não se pode exterminá-lo? :-D. Muito bons comentários a mais uma série de disparates muito mal intencionados.

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