Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

onde?

escolamoderna02.jpg

A minha amiga IS disse-me que o meu amigo PP tinha sido chamado no programa prós e contras sobre avaliação e que faltou à chamada. Nesse mesmo dia eu tinha dito à IS que quem devia ir lá dizer uma coisa ou outra era justamente o PP, desconhecendo totalmente que ele tinha sido convidado para lá ir. Mas depois vi uma parte do programa e aquilo era tão miseravelmente deplorável que percebi com inteireza as razões – sempre ponderadas – que levaram o meu amigo a não pisar aquela armadilha; ele e outros que foram também convidados e recusaram. Que a coordenadora do programa é uma inepta absoluta já todos o sabemos. Agora, é incrível a escolha de marmanjos que ali foram dizer as alarvidades mais anómalas. Aqui, um professor de Filosofia que se compara com Platão porque nem um nem outro alguma vez usaram computadores; ali, uma cientista da educação a armar em moderna e irreverente com ideias senis que envolvem essa insuperável incoerência de achar que é vantajoso haver distinção na carreira entre titulares e outros, mas que foram péssimos os critérios que lhe deram origem (que é um oxímoro realmente construtivo...); mais ali uma presidente senhorinha a dizer que na sua escola tudo está bem; ali além, mais uma professora com nome trágico a dizer que no fim do programa até vai ao palco juntar o secretário de Estado e o representante dos sindicatos, aqui, mais outra que não gosta que a senhora ministra queira para si os louros de alguma coisa; daquele canto surde outro que diz conhecer serviços excelentes da administração pública cujos funcionários são classificados como medíocres. Cada tiro, cada melro. Que impressionante reunião de cromos.

Quem vai buscar estas tristes figuras? De onde surgem? Por baixo de que pedra?

Perdoe-se o desabafo, mas isto vem a propósito de mais um colega que entrevistaram hoje no Jornal da tarde. Veja-se o enquadramento escolhido para esta entrevista. Nem comento. Quem sabe alguma coisa sobre gestão escolar portuguesa dos últimos 30 anos percebe logo o que eu estou a dizer. E, como eu, não sabe se há-de rir à gargalhada se calar-se, fundamente embaraçado e assarapantado pela vergonha.

Onde? (interrogo-me...)
publicado por Rui Correia às 16:30
link deste artigo | comentar | favorito
3 comentários:
De Tito de Morais a 30 de Novembro de 2008 às 23:53
Viva!

Não vi o programa, mas acabo de ler isto:
- O garfo em que Sócrates foi apanhado
http://bussola.blogs.sapo.pt/88635.html (http://bussola.blogs.sapo.pt/88635.html)

Chamou-me particularmente à atenção este parágrafo que não percebo como nunca vi referido por ninguém até aqui:
- "(...) um sistema de avaliação que, no caso de um professor com nove turmas e 193 alunos, implica introduzir 17.377 registos no computador, fazer 1456 fotocópias e participar em 91 reuniões suplementares."

A ser verdade, dizer que a avaliação de professores é demasiado vago, pelo que não consigo perceber como só agora surge esta informação. Mas enfim, a julgar pelo que aqui tens escrito, acredito que a burocracia até nem seja o maior dos problemas.

Um abraço e bom feriado.

Tito de Morais
De Rui a 27 de Novembro de 2008 às 16:36
É muito difícil responder a isso. No meu íntimo uma voz assegura-me que isso de nada vale que o que importa é mesmo o que o tempo real nos vá trazendo e que é desse que nos devemos ocupar, no lugar em que estamos, na pequenina influência que os nossos gestos e actos nos vão permitindo ter. Mas confesso que não sei. A nossa imagem precisa tanto de uma espécie de lifting ao contrário: falta-nos rugas. Parece tudo uma lisinha adolescência. Falta-nos experiência. sabemos mais do que isto.
De josemota a 27 de Novembro de 2008 às 12:20
Pois, também fiquei :-(( com o Prós e Contras. É impossível discutir seja o que for de interesse para a educação com aquele formato e aquela moderadora. Mas a verdade é que para boa parte da opinião pública aquilo acaba por ser a imagem que fica dos professores, que é de fugir, com poucas excepções.

Dou a mão à palmatória: pensei em tempos que o programa e a jornalista poderiam ter um papel importante no debate de questões importantes e na informação / formação de uma opinião pública tão necessitada disso. E nem desgostava dela. Mas estava enganado quanto aos dois.

A questão que fica é: como é que os professores contornam estas barreiras quase insuperáveis e fazem chegar ao espaço público o que têm de relevante a dizer sobre a escola e a educação?

Comentar post

pesquisa

 

arquivo

nós

Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
31

t&d
t&d