Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

fraco

Certamente em desespero de causa, um amigo convidou-me para ir falar sobre o Estado da Educação na convenção autárquica do Partido Socialista. Eu fui, porque não lhe recuso nada. E ainda bem que fui. Primeiro porque confio no ideário socialista; depois, porque hoje em dia poucos mais parecem acreditar no mesmo que eu. Sobretudo os socialistas. Terceiro, porque quero que saibam que os professores estão muito magoados. Como havia deputados na sala, daqueles que não faltaram à votação da proposta para suspensão da avaliação de professores, achei que não me cabia ser manso com esta gente. No fim de lhes dizer o que tinha para dizer, curto e objectivo, um deles disse-me assim: “Forte”, como quem preferisse "Fraco". Percebi a mensagem: o PS não quer saber do que se passa. Só se esta maçada dos professores os tirasse do poder. Mas não vai tirar. Para isso era preciso que outros estivessem melhor. E não estão. Vai daí, o partido do poder não está para se ralar com nada enquanto estiver no poder. Aquilo que realmente é importante é fazer de conta. Deixar correr, que melhores dias virão. A nêspera do Mário Henrique Leiria está instalada. A conquista do lugarzito é a preocupação presidente. No meio da prédica lá lhes fui dizendo o que é uma autoridade municipal de educação, a falta que faz e o que deve ser feito, disse-lhes um a um os passos a tomar para a constituição de uma agência regional. Enfim, cravos e ferraduras.

Mas o que mais me surpreendeu foi a total ausência de um projecto alternativo para o concelho. Dos discursos apresentados vi uma preocupação ociosamente grande em diagnosticar o que há e quase nada sobre como fazer o que não há. Excluídas as contribuições pontuais do João Serra e da Catarina Paramos, poucas ou nenhumas ideias eu vi para se construir um programa que mobilize gente e votos para encarar o Partido Socialista como um putativo e fundamental vencedor das próximas autárquicas neste concelho. Mais, houve mesmo quem se atrevesse a desdenhar a proposta do Dr. João Serra, que propõe um corredor das Artes entre Caldas da Rainha e Óbidos, assim recuperando uma grande área territorial entretanto absolutamente desaproveitada, baseando-se o detractor no pressuposto pelo qual os presidentes das duas autarquias não se entendem. Ou seja, nem sequer se contempla a possibilidade de vencer as eleições porque já se antevê que a ideia venha a desagradar aos actuais presidentes. Espantoso. As comunicações do António José Seguro e do Secretário de Estado João Ferrão foram fluentes, prudentes e sem consequência, como aliás se esperaria.

Moléstia à parte, valeu, como se percebe, a ida à convenção. Especialmente por causa do meu amigo Jaime Neto que ali apresentou uma comunicação absolutamente brilhante. Ilustrada, humorada, actualizada, conhecedora, cheia de pistas para uma perspectiva global da cidade como pólo de encontro. Muito útil em qualquer convenção autárquica. De qualquer partido. Recordou a ligação da cidade à ferrovia, agora mais viável por obra das compensações post-Ota. Pecou por não lançar ideias mobilizadoras, mas esteve completamente redimido por permitir que outros as enquadrem num projecto único que acabe com esta navegação à vista, fundamente autocrática, sem rumo, contente, surda, desplanificada, em que se sepultou a gestão deste concelho.

Importa, agora, pois, que a única oposição realista à actual gestão camarária não sofra do mesmíssimo padecimento.
publicado por Rui Correia às 11:57
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5 comentários:
De Co a 9 de Dezembro de 2008 às 16:32
O problema nãoé o chapéu. É quando é que o aparelhómetro PS(D) enfia a carapuça. Andamos nós, enfim, a apanhar bonés. Chapéus há muitos, ó.
De Rui a 8 de Dezembro de 2008 às 22:35
Tu ficas muito bem de chapéu. Deixa-te lá estar de chapéu posto.
De Rui a 8 de Dezembro de 2008 às 22:35
Sim, ouvir, acho que ouviram, que aquilo é pessoal gentil. Mas há um estudo do National Training Lab, no Maine, que provou que as taxas de retenção (retention rates) de uma pessoa a falar para outras é de 5%, ao passo que se for um dos ouvintes a explicar a outro ouvinte, a coisa passa para uns incríveis 95%. E o que eles dizem entre si é inimaginável. Mas confesso que não sei o que possam eles fazer dos meus 5%.
De Tito de Morais a 8 de Dezembro de 2008 às 20:45
Boas!

Tiro-te o chapéu pela paciência e persistência.

Abraço
Tito
De Fernando a 8 de Dezembro de 2008 às 14:48
Pelo menos, ouviram. Tal como com os alunos, fica sempre a esperança de que, mais tarde ou mais cedo, possam vir a perceber verdadeiramente o que lhes disseste.

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