Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

estratégia

Que não se duvide. Na minha escola, estamos de acordo. Tudo será feito para fugir da ilegalidade. E fugir da ilegalidade é aplicar princípios que respeitam tanto a democraticidade das nossas decisões como a propriedade e validade regulamentar dos nossos instrumentos de gestão. Temos instalada e em velocidade de cruzeiro uma cultura de escola que premeia o esclarecimento e a comparticipação cívica.

Deste modo, não é simplesmente que percebo surdir da sombra alguns receios que convidam à necessidade "estratégica" - palavra inclinadíssima para algo tão cristalino - de elaborar um calendário de avaliação. Que haja necessidade de estabelecer um qualquer calendário de avaliação, parece-me bem. Contudo, que, depois de um preâmbulo claríssimo como o que foi elaborado no conselho pedagógico, nos decidamos por incluir uma data absurda para a entrega dos objectivos individuais - algures no terceiro período - não traz qualquer qualidade às nossas legítimas pretensões. É apenas sabotagem. Não dignifica. Não lhe confere nenhum rigor. Não confere idoneidade. Exorbita na orientação serena com que temos conduzido tudo isto. Nem é, sequer, oportuno. Estamos em momento de convergir nas numerosas inconsequências jurídicas que ferem estas leis. Cometer, por nosso turno, a mesma ambivalência que tanto criticamos é algo que me parece tão tentador como desnecessário.

Finalmente: medo de quê? Processo disciplinar contra o PCE? Já devíamos saber mais. Não é a primeira vez que esta escola tem um PCE com um processo disciplinar. O que resultou do último? O mesmo que resultaria deste: chegarmos ao fim com alguém a rir-se, a pedir desculpa e com vergonha por se ter aberto tamanha alarvidade. Não o duvidemos. O desfecho disto dar-nos-á aquela razão que, primeiro a nossa vontade, depois a nossa razão e finalmente a lei nos foram sucessivamente proporcionando.

Agora, lá que gostava de aconselhar os nossos governantes a não se arriscarem a impor a sua arbitrariedade contra esta escola, lá isso gostava. Estamos de pedra e cal. Com a PCE e connosco. Andamos a dormir muito descansados. As aulas correm de feição. Os resultados assim o demonstrarão. Os reais e os imensuráveis, tantas vezes os que mais importam.
publicado por Rui Correia às 20:59
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4 comentários:
De Rui a 10 de Fevereiro de 2009 às 23:19
Compreendo e reafirmo: és preciso, Paulo.
De Paulo G. Trilho Prudencio a 10 de Fevereiro de 2009 às 23:05
"A primeira pergunta que fiz ao Paulo Guinote depois de lhe dar um abraço que tinha para lhe dar foi perguntar-lhe se ele já tinha uma secetária para tratar do seu blog." Tb já lhe fiz algumas vezes essa pergunta. O Paulo tem sido enorme: é impressionante o que aquele indivíduo tem feito. Tb subscrevo a posta restante :) Só uma coisita: isto tb cansa e tem uns altos e uns baixos :)
De Rui a 10 de Fevereiro de 2009 às 22:25
Não acredito mesmo nada nessa displicência toda. Desculparás, mas parece-me ociosamente fleumático considerar que falamos apenas de um calendário. Confesso. Estava muito bem a ouvir o excelente preâmbulo, que aliás resumia tudo aquilo que eu próprio percebo sobre o estado da coisa, quando omeço a ouvir falar da dita demissão e do que pode vir aí e mais num sei o quê. Só aí é que me decidi a dizer publicamente o que disse. Não se compreende que defendamos que, precisamente, isto que não tem pés nem cabeça deverá ser realizado na data tal e tal. Estratégia? Mas qual estratégia? Respaldo? Disparate. Nem é uma questão de honra. É simples congruência processual. E disso nós temos para dar e vender. Cansaço? De repente, ouve-se tanto falar em cansaço. Mas qual cansaço? Cansados de quê? O cansaço do turbilhão informativo de que falas? Esse, talvez, para quem passe os dias nisto. A primeira pergunta que fiz ao Paulo Guinote depois de lhe dar um abraço que tinha para lhe dar foi perguntar-lhe se ele já tinha uma secetária para tratar do seu blog. Cansaço? Qual cansaço? Nada aconteceu. Nada. Tudo se especula e rumoriza e aquilo que é para saber e fazer é que "a luta continua". Luz ao fundo do túnel? Mas qual luz? Estamos melhor agora? Por que razão? Porque um advogado de renome confirmou em alíneas aquilo que nós vimos arengando desde sempre? (os meus dez euros estão, perceba-se, muito bem entregues)Mas qual cansaço? Sorriso, isso sim. Segurança, cada vez mais. Solidariedade, sempre que nos for pedida. Acho, aliás, que isto ainda nem sequer começou "a doer" para os que ficam. Esperemos pelo próximo concurso nos finais do mês. Isso é que trará pesca grossa. Agora isto? Bagatelas. Creio que o CE está a fazer tudo bem. E que só o faz assim porque nós o responsabilizámos e o apoiámos. Não deixo de lhe ser muito crítico em relação a muitas coisas, mas estamos completamente do seu lado. Eu, ao menos, estou.

PS. Deixa lá teclar à vontade. Já basta a outra que achava que os jornais não deviam poder decidir o que publicam. Não te rales, nem te canses. És preciso. Coordenadas: Quinta-feira, CCB, Hannah Arendt e Heidegger in love, isso é que é... Se te apetecer ir, posta depois sobre isso que eu também. Ao menos isto nos reste: a posta restante :)
De Paulo G. Trilho Prudencio a 10 de Fevereiro de 2009 às 21:49
Viva Rui. Assim de repente e no meio do turbilhão informativo em que se tornou a nossa vida blogosférica, diria o seguinte: tanta coisa por causa de um simples calendário. Dei o exemplo na reunião, se bem me lembro, do calendário escolar como podia dar o do calendário para o conselho geral transitório. O calendário deve ser feito, parece-me: é apenas um procedimento administrativo e tem outra vantagem: compromete-nos a todos: os que o têm de o fazer e os que se voluntarizam para não o cumprir. Dói a todos. Sobre a excrescência dos OI já nem sei que diga: mas há uma coisa a que me reservo sempre: o elogio da responsabilidade individual e a colocação no lugar dos outros. Parece-me que inicialmente a proposta tinha o prazo dos OI para o final do 3º período mas depois passou para o início e agora deve ser retirado. Parece-me acertado. É sempre mais difícil decidir sobre a vida dos outros: é melhor deixar-lhes essa opção.
Há um aspecto que me impressionou desde logo: o ce condicionou a realização do calendário à sua demissão. Está tudo muito cansado. Vamos ver como isto acaba e deixar sempre um plano B, ou C ou estratégia ou lá o que quer que seja.
As teclas que se debitam por causa de um calendário e de uma reunião geral. Parecia-me desnecessário. Nem vou postar sobre o assunto. [] paulop

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