Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

71%

Segundo li na semana passada, o governo distribui 7 mil magalhães por dia ao mesmo tempo que distribui 30 mil magalhães por semana, ipsis verbis. Operação notável e matematicamente emancipada.

Numa época em que tanto valor se dá aos números, eu não acredito em nenhum número. Actualmente dedico à estatística a mesmíssima credulidade que atribuo à astrologia, ou à Alexandra Solnado. Já nem gosto como gostava do símbolo de percentagem. Parece-me um peixe estrábico a olhar para mim. No outro dia, num óptimo jantar mais inconsequente, deitaram-me – é assim que se diz - as cartas de Tarot. Chamaram-me “místico” e disseram-me coisas que pareciam mesmo verdadeiras. Para mim, os dados estatísticos que hoje tantos esgrimam por todo o lado a propósito de tudo mas sobretudo de nada são tarots. Não são mecânicas de persuasão; são dinâmicas de persuasão. Sofismas infiéis. Mas, sei-o bem, não são inertes. O dolo que ateiam na população é bandido. O embuste é objectivamente delinquente. Por isso se conheça bem e se não menospreze o inimigo. Reflectir sobre toda a informação quantificada e acobertá-la de um agasalho crítico, senão mesmo céptico é, hoje, uma prática de rudimentar cidadania.

Creio mesmo que a mais importante tarefa de um educador do nosso tempo é o fact-checking. Os historiadores e os poetas são os mais bem equipados para isso. Mas mesmo a sua indumentária crítica, a sua carapaça hermenêutica não resistem à subtileza oportuna da voragem informativa. Ninguém confere números. Isso é contabilidade. Maçador. Conferir implica tempo. Paciência. Tudo coisas tão duradouras como uma árvore na Amazónia.

Na minha opinião, como joga em casa, acho que o Benfica é capaz de ganhar. Em termos percentuais isso é, ora deixa cá ver...

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publicado por Rui Correia às 00:16
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