Terça-feira, 24 de Março de 2009

momentum

Que me desculpem os meus amigos do bloco de esquerda mas já não há paciência para o bloco de esquerda. Chega a ser intolerável a completa ausência de ideias no sentido construtor de alternativas políticas concretas. Se exceptuarmos a diligente Ana Drago, que conheci num seminário da ESAD e que então se revelou inesperadamente avessa ao contraditório - algo que nunca se me varreu - mas que permanece sendo a única voz deputada que sabe falar sobre o que se vive nas escolas, a restante representação parlamentar do BE é completamente isso mesmo: "para lamentar". Num dos raros momentos em que se aventurou a fazer política, Louçã condenou o apoio dado à banca, sem explicar, naturalmente, como é que se estrutura um país e se conservam milhões de empregos com uma banca decadente. E tudo isto porque - todos juntos agora: - "a culpa é dos banqueiros". É exactamente o mesmo que dizer que os bombeiros não devem apagar incêndios porque a água é um recurso público e não foram eles que o atearam. Isto é desencorajador, inconsequente, demagógico e inútil. Não tem serventia.

Chega a ser espantosa a forma como esta gente acha que se pode conduzir a agenda política lançando à fogueira casos, casos e mais casos; porque é só de casos que fala o BE. As reuniões destes tipos - ao mais alto nível - têm de parecer-se com reuniões editoriais de jornal panfletário. O BE faz lembrar um jornal cúpido; vende-se bem mas, no dia seguinte, só serve para embrulhar peixe. Já aqui há uns anos vira o mesmo com a candidatura do BE à Câmara das Caldas. Com préstimo, mas sem proveito. Descartável.

Tenho para mim que o BE não se apercebeu da sabedoria daquela sentença antiga: "Tem cuidado com os teus sonhos, que podem um dia concretizar-se". Não tenho a certeza que o BE perceba bem o que significa possuir a verdadeira dimensão que o BE já assume na sociedade portuguesa. Creio que não perceberam o que significa ver a sua representação eleitoral crescer e muito.

Aproveito o ensejo para publicitar a sequinte oportunidade: "Meninos e meninas: quem estiver com vontade de subir e de aparecer é juntar-se ao BE agora. Na bolsa de valores, o BE está em alta. É agarrar a onda, pequenotes."

Receio é que quando assim acontecer - e vai acontecer muito por causa do tal "pêéssimismo" que por aí vai fazendo as delícias dos muito cansados que muito arengam e nada constroem - se não houver mudanças substanciais na sua linha de acção política, o BE construirá facções e fraccionamentos que colocarão de um lado o activismo niilista da esquerda mais conservadora e pateta e os outros que esperam do BE uma verdadeira voz de equilíbrio, com sentido da real responsabilidade que se adivinha que virá a adquirir muito em breve.
publicado por Rui Correia às 00:42
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2 comentários:
De Rui a 26 de Março de 2009 às 22:21
Olha lá e essa tua predilecção não te trará uma mais que camiliana "queda de um anjo" com esses morgadinhos todos a espetar-se com as asasinhas todas no chão? É que todos os dias nos dão provas disso. Todos os dias. (Menos a Ana Drago, em matéria de educação, estamos aí de acordo).
De Lus Filipe Redes a 25 de Março de 2009 às 21:41
De momentum, parece-me que o bloco de esquerda é o único partido que representa bem, como disse Sócrates, a "inveja social". Acontece que eu prefiro colocar-me do lado dos que invejam do que do lado dos que são invejados. Por isso, acho que precisamos de mais bloco, mais Louçã, mais Ana Drago.

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