Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

I kid you not

Os comediantes resmungam sempre que sai da cena política um tipo qualquer que lhes fornece material de risota. Foi assim com Santana Lopes, Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro, Dan Quayle, Bush e muitos, muitos mais.

Bem sei que não é sensato acreditar em tudo o que dizem os jornais, mas acabo de ler no Público as seguintes declarações da Senhora Ministra da Educação, acerca da Matemática:

"...naturalizamos de mais as incapacidades dos nossos alunos em matérias como a Matemática"

Por isso, considera a titular que deve começar agora um, e cito:

"processo de desnaturalização dos maus resultados"

Para ir aos pormenores a ministra acha que esta operação, e cito:

"tem de envolver todos, até os meios de comunicação, até as telenovelas, até os anúncios"

Mais. Maria de Lurdes considera que e cito:

"Devíamos ter uma espécie de campanha que chamasse a atenção para várias coisas"

Para que o pânico se não instale, a ministra tranquiliza os portugueses, sobretudo os pais dos portugueses, assegurando que, e cito:

"Isto não é hereditário"

Para quem não tenha lido livros ou artigos médicos sobre a genética da matemática a ministra faz uma síntese do pensamento mais actual que a comunidade científica defende sobre este tema:

"não há nada de genético nos portugueses que justifique este mau resultado"

Eu não quero ser premonitório mas acho que os comediantes vão sentir muito a falta desta gente. Se isto dá vontade de rir, por que me escurece isto tanto?

Por favor devolvam-nos alguém com uma réstea de inteligência ao cargo de ministro da Educação. Roberto Carneiro, Marçal Grilo, Fraústo da Silva voltem, por favor voltem, estão perdoados. A sério. Vá lá. A gente cala-se durante dois anos. Juro. Beijinho, beijinho.
publicado por Rui Correia às 17:13
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5 comentários:
De Vasco Toms a 15 de Abril de 2009 às 23:09
É reconfortante a interiorização de que afinal não há nos portugueses nenhuma malformação genética para a aprendizagem da matemática. E todos temos de fazer desta verdade - finalmente revelada - uma bandeira emancipatória. Excepto, por parte do Ministério, haver o cuidado de ouvir as vozes críticas daqueles que sabem do assunto, v. g. a Sociedade Portuguesa de Matemática.
É do lado do povo, não das elites, que vai soar a hora.
O neologismo da ministra "desnaturalização" nada significa para a generalidade das pessoas. Será que quis referir que é preciso "escovar a história a contra-pelo", de modo a desfazer os nós que a história e a cultura foram tecendo? Mas são quaisquer pessoas que têm capacidade para essa difícil tarefa?
Pode ser que a consciência de que é preciso "desnaturalizar" comece a expandir-se para outros âmbitos. O que exigiria uma inversão em relação a alguns dispositivos ditos "naturalizados".
Se não formos por aqui, em vez de rir há que chorar.
De Rui a 15 de Abril de 2009 às 22:58
Eu devo confessar-vos que já uma vez estive para me desnaturalizar. As coisas não me corriam bem. Andava mal. Tinha problemas. Pensei cá para comigo. "Isto ia lá, era se eu me desnaturalizasse". Ainda perguntei ao Fernando: "Olha lá Ó pá, e se eu me desnaturalizasse?". E ele disse: "Desnaturalizasses-te como?". Eu respondi: "Ó pá, assim todo desnaturalizado mesmo, tipo desnaturalização completa". "Então e ficavas todo desnaturalizado?" "Era", confirmei. "Eh pá não faças isso, pá", disse-me o Fernando. "Isso é para gajos naturais, pá. Não é para ti. Não tens unhas para isso." E eu pensei então que deixava isso da desnaturalização para dias piores. Porque ele há dias maus mas up yours.
De isabel Silva a 15 de Abril de 2009 às 22:04
Nova humorista nas televisões portuguesas: "A ministra fedorenta".
Os "Gato fedorento" vão ficar lixados!
De Lina a 15 de Abril de 2009 às 21:50
E sobre os efeitos secundários do Prozac, há literatura de referência?
De Fernando Nabais a 15 de Abril de 2009 às 18:31
E temos de naturalizar que se tenha uma Ministra da Educação deste calibre? Eu não naturalizo, desculpem, mas não naturalizo.

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