Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

será?

Estava hoje a olhar para os meus colegas na sala de professores, quando reparei em algo que se me revelou inesperado. Como é sabido, aquilo que levou à recente criação deste amontoado de escolas – como lhe gosta de chamar e bem o Paulo Prudêncio – foi uma soma de arbitrariedades que nada têm a ver com a qualidade de ensino, a preocupação com os alunos, ou considerações realmente relevantes. Nunca fomos, na verdade, uma rede coesa e congruente de estabelecimentos de ensino adequadamente articulada. Aliás, a artificialidade dessa lamentável deliberação revela-se todos os dias; não há uma prática de partilha de informação, de comunicação e mesmo de relações pedagogicamente significantes. Deste modo, tem sido por vezes muito triste verificar a distância que separa, tão evidentemente, uns docentes dos outros.

Pois aquilo que me fez ficar hoje subitamente silente foi o ter verificado que todo este episódio absurdo em que estamos mergulhados – por pouquíssimo tempo, asseguro – poderá ter contribuído decisivamente para que o amontoado comece, inesperadamente, a funcionar e a pensar como um conjunto. Isso divertiu-me. De facto, é iniludível. A presença dos colegas de outras escolas é cada vez mais comum e a Escola Básica Integrada de Sto. Onofre transformou-se realmente numa sede. Isto pareceu-me hoje indesmentível. Creio que a cultura de escola que demorámos anos a construir começou a “contaminar” as outras e nota-se que se sentem bem ali. Vão lá com gosto. Riem e abraçam-se. Há amizades que se consolidaram com isto. (Noto também que os mais envolvidos começam a perder, infeliz e legitimamente, as estribeiras, mas esse é outro efeito, menos surpreendente e de consequências por conhecer ainda).
Mas, perguntei-me, será que nos estejamos a transformar num agrupamento, coisa que nunca havia sido possível até hoje? Será possível que esta crispação que se abateu, estupidamente, sobre as nossas escolas nos tenha unido de forma que me pareceu, pelo que hoje vi, imarcescível? Só o futuro o dirá. O futuro próximo, ninguém o duvide.
publicado por Rui Correia às 20:09
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2 comentários:
De Rui a 21 de Abril de 2009 às 00:42
Pois. Então olha, se assim é, é porque não tenho razão. Acontece muitas vezes. Mas pareceu-me tão divertido o que hoje vi. Tenho pena.
De Isabel Silva a 20 de Abril de 2009 às 22:55
Desde o início que fui contra o aglomerado de escolas, não só pelo que referiste, mas também e acima de tudo porque os agrupamentos horizontais e as unidades autónomas funcionavam bem. Não tenho a menor dúvida e sei do que falo.
Estive nas reuniões que supostamente seriam de consulta e troca de impressões sobre a criação dos agrupamentos, mas que mais não foram que a imposição dos mesmos. Recebemos a Ponte, o Parque e o Jardim de S.Cristovão, numa primeira fase. Mais tarde Arneiros, Nadadouro, Foz do Arelho e Morenas. Ninguém concordou com a medida e nada passou a funcionar melhor. Como todos sabíamos. Houve mesmo uma certa relutância da parte de alguns colegas em aderir a actividades conjuntas, mesmo até aos convívios e jantares de início e fim de ano, natal e petiscos do onofre. Até por vezes pairava no ar um certo odor a “sabotagenzinha”.
Hoje, sinto também que o descontentamento de alguns (quase todos) está a unir as pessoas e que nestes últimos tempos temos funcionado como agrupamento como nunca o fizemos até aqui. Mas como em tudo há excepções. E há por cá ( no agrupamento) quem ria e bata as palmas de contente por tudo o que nos está a acontecer.
O tempo confirmará que “quem ri por último, ri melhor”.
Bjo



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