Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

parabéns

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Dou-vos umas novas de Sto Onofre. Na sala de professores, às Terças feiras, os professores preparam sempre um lanche para oferecer aos colegas. O que começou por ser um pequeno quick snack é hoje uma demonstração saudável de talentos culinários e a coisa começa a ficar pantagruélica. Pois bem, hoje tínhamos a mesa posta, como de costume, (desta vez foi o grupo de Inglês que apresentou o manjar) e a certa altura alguém se lembrou de cantar os parabéns. Ninguém, evidentemente, fazia anos. Mas estávamos todos de parabéns. Por isso no fim da canção alguém propôs que se cantasse outra vez os parabéns. Se (ou)vissem a alegria ruidosa que ali ecoou. Não há dúvida: os professores estão a precisar de uma catarse. Cantar pode ser esse libertar de tensões.
Sou, também por isto que se passou hoje, cada vez mais a favor de uma manifestação nacional criativa sob a forma de um grande concerto em homenagem aos professores.

Na minha opinião, e pretendo apresentá-la nas reuniões, devia organizar-se uma sorte de concerto de música com artistas da nossa praça que certamente se nos associariam. Reuniamo-nos num estádio e enchíamo-lo. Ter uma Luz ou um Alvalade tomado por professores, razão e canções haveria de fazer o efeito desejado. A cantiga, acredito-o, e o êxito involuntário dos Xutos demonstra-o, ainda é uma arma.

Mas festejar o quê?, pode alguém perguntar.

Contam-se aos milhares as resistências individuais que têm obrigado o país a repensar a legislação absurda, irresponsável, sobre educação que se preparava para implementar. Aquilo que se propunha para Portugal transformaria o acto de ensinar num novelo incompreensível e fastidioso de actos burocráticos que não trariam a mais insignificante benfeitoria ao acto de aprender. É por causa destas resistências que os nossos alunos, pais e professores não vão deixar de ter a escola que merecem. É por causa de cada um destes pequenos e milhentos combates que os professores não serão obrigados a suportar um sistema ridículo, injusto e ineficaz de avaliação de desempenho, que incorporava pormenores de pura demência mental. É por causa destas inúmeras lutas pequeninas que se agigantou em muitos um orgulho em ser professor.

Como sempre em todas as guerras, muitas batalhas se perderam. Nada é definitivo na vida, mas muitas pessoas se perderam entretanto no caminho. Numa conjuntura de apreensão e de medo quanto ao futuro, não é de estranhar que muitos tenham cedido. Ficarão, eles bem o temem, do lado errado da história.

Pela nossa parte, seja qual for o desfecho, porque a luta é longa, sabemos que estamos do lado do futuro; do lado que faz deste tempo um tempo de desvanecimento. A história que temos para contar aos nossos filhos ser-lhes-á inspiradora. É aquela que todos precisamos de aprender. Que a luta é um dever, sempre que a injustiça impende sobre os nossos dias. E que há sempre duas formas de ficar do lado errado da História. Estar do lado da prepotência ou não fazer nada. Nós escolhemos uma terceira via. Mais difícil, pessoalmente lesiva, mas que não trocaríamos por coisa alguma.

São estes milhares de resistências individuais que neste momento persistem em todas as escolas do país aquilo que devemos homenagear. Em festa. Com música e com razão.
publicado por Rui Correia às 00:09
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2 comentários:
De Rui a 23 de Abril de 2009 às 23:32
e amigos também...
De Lina a 22 de Abril de 2009 às 22:28

Bora lá cantar outra vez? Parabéns a você, nesta data querida... muitas felicidades... muitos anos de vida...!!!!! (para todos nós, que bem merecemos).

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