Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Id

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Sempre me cativou perceber o quão pouco conhecemos aquelas pessoas que conhecemos há muitos, muitos anos. Este aliciamento prende-se com um autêntico e quase fofinho prazer em reencontrar-me ingenuidades e insipiências que me colocam sempre no devido lugar. E o devido lugar é o mesmo lugar de sempre. Que existe uma conspiração, homérica ou camoniana, pela qual tudo o que fazemos é remota e olimpicamente governado por quem está neste mundo e no outro com o propósito único de nos diminuir ufanias e acertar o passo. É desta secreta e omnipotente gente que chega aos humanos a infinita e empolgante persuasão de que “nada se sabe”. É uma espécie de sismo permanente de tudo o que conhecemos, mais não seja por termos compreendido de novo o que de novo uma porta, nova ou velha, pode abrir.


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Sorri de novo com tudo isto quando fui ver a exposição das minhas amigas de muitos anos Maria Bairrão, (que é, aliás, bisneta do presidente Bernardino Machado) e Cristina Lourenço que está no espaço Adamastor - Camões a rir, cá está - e que muito aconselho até porque não estará lá muito tempo. São duas linguagens diferentes, técnicas, momentos e percursos distintos. O que penso sobre cada um desses estilos fica comigo que nada sei mas convido-vos a darem um salto à Foz do Arelho e estudarem toda aquela diversidade de luz e traço. São cartas escritas. Chamo a atenção para os portentosos espectros humanos (panteões de silentes, serafins sacros, luciferinos) esculpidos em tinta e em carnes de pedra pela Cristina, que aqui revi como uma presença serena e constante. Recomendo a leitura e releitura da multiplicidade epistolar, terrena e territorial, da Maria.

Seja como for, sei mais. Sei-lhes também mais. Fico-lhes obrigado.

Agora, ide.
publicado por Rui Correia às 13:08
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4 comentários:
De Nuno Marques a 8 de Maio de 2009 às 00:59
onde esta "sul" leia-se "sua"
De Nuno Marques a 8 de Maio de 2009 às 00:57
Os quadros , a pintura, tenho para mim que são formas de arte que transmitem o que de mais essencial deveríamos conhecer nas pessoas que julgamos conhecer bem, pois são eles que põem a nu a ingenuidade e pureza quase infantil que moldamos com a idade, dizem que uma criança não sabe mentiir, um pintor ao pintar demonstra a criança que está dentro de si, e com isso demonstra tudo o que sente e o que vê com toda a sul alma pura
De Rui a 8 de Maio de 2009 às 00:22
Agora perdi-me, Nuno. Elabora um pouco mais, please.
De Nuno Marques a 7 de Maio de 2009 às 21:24
E não será a ingenuidade o fruto mais doce da vida, tenho para mim que quanto mais conhecemos as pessoas, menos importante se torna aquilo que é essencial conhecermos delas

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