Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

finalmente

Há batalhas que demoram a vencer. Invade-me hoje alguma imodéstia que só se aceita por causa de uma sincera felicidade: o meu mais relevante labor académico no domínio da história contemporânea acaba de ser reconhecido de forma retumbante e definitiva.

Foi hoje publicada em Portugal a notícia da disponibilização digital dos arquivos do Diário de Notícias de New Bedford. Aqui. Longe vão os solitários anos em que me esforcei por dar a reconhecer, dentro e fora dos EUA, a importância deste acervo. Muitas as entrevistas, muitos os artigos, muitas as conferências. A satisfação genuína que me invade é, pois, por vós concebível. Aplaudo vibrantemente o esforço e a dedicação do Centro de Dartmouth para Estudos e Cultura Portuguesa, da Universidade de Massachusetts, que encontrou a melhor forma de dignificar não apenas uma obra de singular importância para a história luso-americana mas de inaudita relevância para a história dos Açores e de Portugal. Envio de Portugal os meus mais genuínos reconhecimentos ao Dr. Frank Sousa e sua equipa, pela sua visão e pela sua generosidade, que nunca me faltou, desde o primeiro momento em que, para seu grande espanto e júbilo, um então jovem investigador se apresentava no seu gabinete para estudar uns jornais em mau estado e uma colecção incompleta de microfilmes. É muito gratificante poder ter contribuído, humildemente para o reconhecimento desta minha “Sleeping beauty”, como amorosamente acabei por a designar.

O Público conta a história desta forma:

"Mais de 84 mil páginas com um custo de mais de 130 mil dólares
Arquivo do antigo Diário de Noticias publicado nos EUA está online


13.05.2009 - 20h47 Lusa

Mais de 84 mil páginas do antigo jornal Diário de Noticias, criado e publicado nos Estados Unidos entre 1919 e 1973, foram digitalizadas e estão agora disponíveis para consulta gratuita na Internet.

O antigo jornal diário iniciou a sua publicação a 25 de Janeiro de 1919, na altura chamando-se Alvorada, e mudou de nome em 1927 para Diário de Notícias. Durante décadas, foi o único jornal português criado e publicado nos Estados Unidos, chegando a circular por todo o país até 1973, altura em que o seu dono, João Rocha, se reformou.

Agora, mais de 84 mil páginas desde que o jornal foi criado em 1919 estão disponíveis num arquivo digital criado pelo Centro de Dartmouth para Estudos e Cultura Portuguesa, da Universidade de Massachusetts, no que é considerado o maior esforço para preservar um jornal étnico.

"A razão pela qual este jornal se tornou uma obsessão para mim foi porque se trata do documento mais importante da História portuguesa-americana, particularmente no Massachusetts e em Rhode Island", afirmou Frank Sousa, do Centro de Dartmouth para Estudos e Cultura Portuguesa.

Guilherme Luiz, o empresário que comprou o jornal em 1919, na altura um semanário que transformou em diário publicado de segunda a sábado, chegou por volta de 1880, na segunda vaga de emigrantes que foi para os EUA procurar trabalho na indústria têxtil.

O jornal serviu, no início, a comunidade portuguesa concentrada no Sudeste de Massachusetts e Rhode Island, que continua a ser a maior nos EUA, alargando a circulação a todo o país via correios.

Os correspondentes do jornal acompanhavam as comunidades portuguesas na Califórnia, Nova Iorque, Long Island, Nova Jérsia, Connecticut, Rhode Island.

Segundo Frank Sousa, entre 1932 e 1968, quando Oliveira Salazar estave à frente do Governo português, a censura aplicada aos jornais em Portugal não chegou a este jornal de New Bedford, que teve espaço para debate entre apoiantes e críticos do regime, chegando mesmo a empregar vários jornalistas exilados.

O jornal foi então banido em Portugal devido à sua cobertura politica, explicou Manuel Calado, que foi editor do jornal, que "era contra a ditadura", entre a década de 50 e o fecho em 1973.

Após a doença daquele que se tornou o dono da publicação a partir de 1940, João Rocha, o jornal acabou por fechar, tendo como sucessores O Jornal e o Portuguese Times.

A Universidade de Massachusetts herdou então os arquivos, que estavam em avançada fase de deterioração, que agora digitalizou numa operação que custou mais de 130 mil dólares, desembolsados por várias entidades, entre elas a Região Autónoma dos Açores.

Frank Sousa contou ainda que, pouco após o inicio da disponibilização do arquivo, recebeu um e-mail do presidente da Região Autónoma dos Açores, Carlos César, a dizer que esteve horas a pesquisar, procurando histórias de amigos e familiares que emigraram para os Estados Unidos."


Que contente estou. Um pouco ansioso também por ter no prelo aquele que é o primeiro estudo académico sobre o Diário de Notícias de New Bedford e que será lançado nos EUA ainda este ano.
publicado por Rui Correia às 23:03
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10 comentários:
De Rui a 20 de Maio de 2009 às 20:49
Um abraço caldeu para o seu grande portonian...
De Tito de Morais a 17 de Maio de 2009 às 01:31
Parabéns, Rui, deste teu Bostonian, residente no Porto.
De Rui a 16 de Maio de 2009 às 15:29
Já pensei nisso Isabel, mas ando com tanta coisa neste momento que me é impossível ocupar-me mais.
De Rui a 16 de Maio de 2009 às 15:28
Tu, Mota, sabes bem o que foi esse desiderato todo. Tu conheces por dentro este júbilo.
De Jos Mota a 15 de Maio de 2009 às 17:37
Parabéns ... e ... Parabéns :-).
De Isabel Silva a 15 de Maio de 2009 às 14:49

Muitos parabéns, Rui. Fico contente, como sabes. Acho que agora devias avançar com aquilo que o Octávio te propôs.
Bjo

De Fernando a 14 de Maio de 2009 às 19:28
Sim, mas todas não são muitas.
De Rui a 14 de Maio de 2009 às 19:18
Dizes isso a todas...
De Fernando a 14 de Maio de 2009 às 16:31
Deixa-me ficar orgulhoso de ti outra vez.
De Paulo G. Trilho Prudencio a 14 de Maio de 2009 às 14:02
parabéns rui.

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