Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Batuta da batota

 

Como é possível falar de folga orçamental de 2 mil milhões de euros, num país próximo da bancarrota (com 50% de possibilidades de atingir a impossibilidade de pagar os salários dos seus trabalhadores) é algo que me ultrapassa. Mas pretender que as contas estão feitas e que, de repente, integrar o fundo de pensões da banca ao Estado servirá para pagar dívidas da saúde é chamar-nos imbecis a todos.

 

Em primeiro lugar, porque é como se ignorássemos todos que esse capital é um capital reservado, um capital com destino. Se o usarmos, se o desviarmos do destino que lhe era atribuído - pagar as reformas dos funcionários da banca - teremos de o ir buscar a outro lado. Adivinhe-se onde. Os inevitáveis constrangimentos orçamentais que isto trará futuramente à segurança social serão a consequência incontornável desta manobra orçamental.

 

Em segundo lugar, porque este é o governo que, até para vergastar a oposição interna do psd, dizia que não iria recorrer a batotas (num alusão ao tempo em que para atingir a mítica fasquia dos 3% de défice Ferreira Leite vendia património do Estado a torto e a direito e vendia o próprio exercício da cobrança fiscal). Quem rege esta orquestra parece dirigi-la, de facto, sem pauta e sem orquestra.

 

Alguém dizia recentemente que temos no poder um bando de mentirosos. O que parece óbvio é a ninguém parece ser possível descortinar verdade alguma, nem presumir que aquilo que hoje se diga não seja contradito amanhã por esta hora. Parece ser tolerável em alguns meios políticos, inspirados talvez pela leitura d'O príncipe', a ideia pela qual eleger a mentira como forma de governo possa garantir resultados.

 

Mas até o mais maquiavélico dos seres sabe que, mesmo no ofício de mentir, é indispensável saber como se faz.

publicado por Rui Correia às 13:51
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