Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

avariáveis

Há uma música do Sting que tem uma frase que sempre me divertiu: "Things can only get worse". Não há frase mais pessimista nem frase mais optimista.

 

 Uma discussão divertida e acalorada no blog do Paulo Prudêncio a propósito da comparação entre o fim do império romano e os nossos dias suscitou-me um comentário que aqui reproduzo, com mais uma ou outra pitada de sal.

 

Caros amigos, permitam-me a intrusão para vos recordar algo que todos conhecemos de há muito: comparar civilizações é algo que conduz sempre ao mesmo desfecho: não devemos comparar civilizações. Sempre que o fazemos - e a tentação é muito grande por causa de uma coisa que se chama a apropriação da história que não passa de um revisionismo de conveniência aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano, fora os bissextos - sabemos de antemão que o que fazemos é seleccionar variáveis corroboradoras e ignorar variáveis pejorativas da nossa tese. E mais: admitir que possamos conhecer as variáveis todas, ou destrinçar as que realmente avultam. Se há coisa que aprendemos com os nossos dias é que ninguém domina as tais "variáveis". Por isso a tal "incerteza" do futuro, que tantos arengam.

 

Resta-nos apenas a força humilde e laboral de "tentar perceber".

 

Contudo, ávidos de certezas em tempos de incerteza, os historiadores do nosso tempo agora parecem ser os economistas. Ora, todos sabemos como isso tem corrido mesmo bem.

 

Curiosamente, ainda há dias um professor universitário me dizia como foi difícil encontrar para uma Faculdade de Economia um professor de História de entre os seus alunos. Tiveram de ir buscar um à faculdade de letras. Por aí se vê a serventia que os economistas dão à História e o que aprenderam com ela.

 

Sirvamo-nos da história como uma amante escarnecida. Boa para se dispor, para se deitar às nossas vontades, apenas quando nos for conveniente.

 

De uma coisa estaremos sempre certos neste exercício: a história dar-nos-á sempre razão. Infelizmente isso acontece pela simples razão de que não nos ensina razão nenhuma, residindo aí, justamente aí, a sua majestade.

 

publicado por Rui Correia às 14:51
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