Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

cadei(r)a

 

Ouvir o candidato a candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América a afirmar que a culpa de alguém não ser rico é dele mesmo e de mais ninguém, ("Don't blame Wall Street. Don't blame the big banks. If you don't have a job and you're not rich, blame yourself.") como ouvir Fernando Pinto, esse tropical presidente da TAP, a repetir que "a greve é uma coisa do século passado" (já o dissera em Março do ano passado para estarrecimento de muitos), é algo que ultrapassa o ridículo. É ignorante e perigoso. É que ambas as coisas são expressões que encontramos na mentalidade oitocentista, (e não do século passado, como o burro afirma); é um ditame taylorista, que se ensina nas cadeiras das escolas. Apenas por isso deveriam ambos ser imediatamente expurgados das responsabilidades que, gritantemente, não merecem ocupar. Deviam ser presos. Ao menos presos a alguma cadeira ao lado de um dos meus alunos. É a única cadeira onde merecem estar. É extraordinário que acusem os outros de uma obsolescência com os mesmíssimos argumentos obsoletos esgrimidos no século XIX.

 

É mais uma das circunstâncias em que o valor do ensino da história se revela nuclear. Não surpreende que seja a minha disciplina um alvo a abater, em tempos de "tecnocracia acima da política", sistema que apenas funciona na exaltação de passividade bovina colectiva. “Obedecer porque se deve obedecer”, dizia Mussolini. “Neofascismo financeiro” chamou-lhe, ontem, Lobo Antunes.

 

Conhecer história não permite aleivosidades destas. Até porque a história ensina-nos que, irremediavelmente,

 

publicado por Rui Correia às 13:37
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