Sábado, 22 de Outubro de 2011

haram

O episódio da morte bruta de Kadhafi tem um detalhe que passou despercebido a muitos e que é revelador do ponto a que chegara o culto da personalidade naquela ditadura. Rodeado de uma chusma de homens enfurecidos, esbofeteado e torturado e finalmente executado (qual fogo cruzado qual quê…) Kadhafi vai repetindo aos torcionários que o irão matar pouco depois: “Haram, Haram” que significa “É proibido, É proibido”. Repare-se, mesmo no último instante, o ditador invoca a lei da sua inviolabilidade para se salvar. Não implora clemência, não insulta, antes reivindica a lei para, acriançadamente, impedir que os ferros com que matou, o matem agora a si. Espantoso.

 

Outra coisa: para quem se horroriza com o velório macabro e indigno do déspota líbio, recorde-se que não é menos macabra a repetição em todos os canais de televisão, até à exaustão, dos vídeos da captura angustiante do beduíno assassino.

 

Outra coisa, ainda, mais voltada para os educadores: como se fala às crianças sobre estes episódios de morte de uma figura pública por vingança?

publicado por Rui Correia às 23:04
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2 comentários:
De "Olhando do Oriente" a 23 de Outubro de 2011 às 02:45
A Sociedade Humana está muito... muito doente!!!

Abração Rui,

Agostinho
De luisa Pedro a 25 de Outubro de 2011 às 12:11
Mais uma vez, até chateia, subscrevo integralmente o que escreves.
Com armas se mata, com armas se morre! Olho por olho, dente por dente! E, seria lindo, ficarmos todos cegos e desdentados.
As sociedades andam um bocadinho perdidas, em nome de audiencias televisivas, passamos a morte em directo.
É tão macabro quanto repugnante!
Temos o dever e a obrigação de fazer melhor.

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