Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

lindezas

Duas coisas bonitas a que assisti recentemente. O concerto da Luísa Sobral no CCC das Caldas e a Vortice Dance Company (Cláudia Martins e Rafael Carriço - director do CAE) no José Lúcio da Silva que apresentou a coreografia Dracula.

 

Vortice dance company 

 

A Vórtice é uma companhia residente no CAE da Figueira da Foz – que parece persistir e muito bem em manter residências artísticas. O espectáculo foi de grande qualidade visual e teve momentos de absoluta excelência. Fugindo à solução obviocomercialoide de convocar a própria figura literária criada no séc XIX por Bram Stoker, o espectáculo recria uma atmosfera consistentemente sanguinolenta, sombria, mas muito estimulante visualmente. Creio, em todo o caso, que não consegue conservar o nível de pasmo com que brinda os espectadores no fortíssimo arranque da criação.

 

A coreografia alimenta-se do veio minimalista que hoje percorre quase todo o discurso estético da dança contemporâneo, com muitos ângulos rectos corporais, imobilidades frígidas e repetição obsessiva (loops) de registos com transições mais ou menos abruptas que encontram coerência na invocação dessas mesmas repetições. Confesso que sou apreciador desta linha Pina Bausch, Olga Roriz (“treze gestos de um corpo” é um dos inesquecíveis exercícios do que vos conto) mas creio que começo a senti-lo como um filão recorrente e, dessa forma, maçador.

 

Nada sei de dança, por isso fico-me aqui por aplaudir um exercício que pode fazer bastante pelo consumo rentável da dança contemporânea.

 

A flutuante e grave Cláudia Martins deslumbra.

 

 

Luísa Sobral

 

Maravilhosamente natural. Maravilhosa. Mente natural. Uma cabeça arrumada. Que singular prazer é ver uma cabeça arrumada. Luísa Sobral não poderia ser extraordinária noutro país. No nosso é absolutamente extraordinária. Bom gosto, aliado a um espantoso Filipe Melo que tem um gosto ponderado e sintético que é raro encontrar. Como um árbitro prudente, Filipe Melo não se dá a revelar. Domina tudo sem intervenção explícita. Uma eminência parda. Enfim… um serão de óptimas canções – umas mais do que outras – na minha opinião algumas coabitam com erros elementares de composição, mas, no geral, uma deslumbrante objectividade estética e um esclarecido e muito competente projecto musical. Em todo o caso, do que de melhor se faz hoje por cá.

 

No meu fraquíssimo entender, existe uma canção que pode tornar-se um standard do swing. I would love to. Deixo-vo-la aqui até porque me parece ser aquele tema que melhor define toda a personalidade artística da maravilhosa e naturalíssima Luísa Sobral. A rever, pois, sempre que nos vos for possível.

 

 

I don’t like to go to fancy places
Drink Champaign and talk of cars and races
But if you ask me to
I would love to

I don’t like to wake up in the morning
Read the news and talk on the phone
But if you ask me to
I would love to

´Cause I love everything about you
Every little thing you do
So baby I don’t mind at all
To change a bit or two
´Cause I’ll do it all for you

I don’t like to wear those trendy dresses
Buy new shoes and wear fake eyelashes
But if you ask me to
I would love to

publicado por Rui Correia às 13:36
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