Domingo, 5 de Junho de 2011

homo electus - risorgimento

Quando, na longínqua e imediata Bruxelas, um carro passa em frente ao hotel a buzinar uma bandeira do psd, percebemos que o mundo é cada vez mais pequeno. Tão pequeno como a sensatez de quem conduz aquele automóvel. Hoje, como noutras ocasiões, o surreal impõe-se. Um país arruinado, com 700 mil desempregados, acha-se capaz e merecedor de aplauso. Viver acima das posses é isto mesmo. A direita vence com estrondo. Vejo com pena e leio em silêncio depoimentos de anti-socráticos eufóricos com uma vitória da direita - que esperam absurdamente poder vir a ter políticas de esquerda - e direitistas exultantes numa conjuntura de desastre nacional. Todo o clima de festa é estúpido e só pode ser proveniente da inconsciência do estado em que o país se encontra. Mesmo os meus colegas professores, sobretudo aqueles que, como eu, conhecem na pele os malefícios que estas legislaturas impuseram, desgraçada e injustamente, sobre a escola pública não têm motivos absolutamente nenhuns para aplauso. Malefícios que escolhi denunciar dentro do próprio partido socialista, por temerária lealdade para com o partido em que sempre votei. Acaba de vencer um partido que tem no seu programa ideias demolidoras para a escola pública. Perguntam-se 'Mas pior do que temos não pode ser, pois não?'. A esses respondo com uma palavra: 'vai' e recomendo a leitura do programa eleitoral do psd. Nada mais. A inteligência de cada um é bastante. Anseio, pois, pelo risorgimento do partido socialista e conservo-me fora das depreciações fulanizantes e das bolhinhas de mau champanhe bruto. Conservo-me do lado da esquerda democrática, que encontra neste contexto um momento de renorteamento político e também uma oportunidade imperdível de expurgar do partido socialista as pessoas e as ideias que, não servindo o socialismo, nunca serviram para nada e muito menos serviram Portugal.
publicado por Rui Correia às 23:03
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1 comentário:
De mané a 13 de Junho de 2011 às 22:48
Que privilégio ter um amigo que escreve/descreve de forma brilhante o que sinto. Está tudo aqui. Nas tuas palavras. Destaco o surreal de colegas professores terem ficado em estado de euforia.....sei que não leram os programas dos partidos, mas pelo menos não ouviram debates, slogans, comentários??? Agora esperem para ver o pior, à séria. Obrigada Rui, sinto-me menos só. Bj

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