Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

bem-me-quer

 

São quatro meses de trabalho dos meus alunos para executar uma tela preenchida integralmente com mensagens de optimismo que todos fomos escavando arqueologicamente nos jornais e revistas publicados entre Outubro de 2010 e Janeiro de 2011. Estará em mostra durante duas semanas na biblioteca da escola básica integrada de Sto Onofre (obrigado Anabela, Isabel Seno e Telmo). Quem por lá passar não se esqueça de me dizer alguma coisa que isto de produzir, produzir sempre, só tem piada se se souber o que acham os outros daquilo que fazemos. Fica aqui o pregão e o texto de apresentação que foi - percebê-lo-ão - escrito para que certas idades mais jovens o leiam.

 

"Não é fácil ser feliz", ouve-se muitas vezes dizer. Mas o que é isso de ser feliz? Como pode cada um de nós ser feliz? Uma forma de o fazer é ter memória. Memória de todas as boas coisas que nos vão acontecendo. E não as esquecer. Dar-lhes prioridade sobre tudo o mais. Ninguém é capaz de negar que a vida nos dá muitas razões, milhares, pequeninas e grandes, para sermos felizes. Um gesto. Uma palavra. Um olhar. Temos, todos temos, o dever de saber pegar nestas pequenas coisas boas que a vida nos dá e recordá-las sempre. Guardá-las na memória. Gravá-las em pedra. Colá-las num quadro. Escolher as melhores e guardá-las para sempre. Porque é da soma de cada um desses pequenos bons momentos que nasce uma vida inteira de felicidades. Talvez ser feliz dependa, afinal, de uma dieta. Uma dieta de escolhas em que cada um escolha o que quer.  As escolhas são como pétalas. Bem-me-quer, mal-me-quer, bem-me-quer... 

 

Talvez todos precisemos de respeitar uma outra roda dos alimentos. Não devemos consumir tristezas em demasia. Devemos alimentar-nos de tudo o que nos faz bem. De tudo aquilo que bem-nos-quer. Precisamos de saber escolher e de saber guardar esses momentos, como o faria um coleccionador de alegrias.

 

É isto que esta tela faz. Ela é o produto de quatro meses de escolhas, quatro meses de recortes, quatro meses de debate, quatro meses de cola, quatro meses de escola, quatro meses de riso, quatro meses de paciência, quatro meses de trabalho. Mas podia ser outra coisa. Podemos olhar para ela como um retalho de uma vida. Quatro meses, apenas, em regime de dieta. Uma dieta de optimismo. "Não é fácil ser feliz"? Talvez. Mas quem disse que não devemos tentar? Cada recorte é uma pétala escolhida. Uma dieta. Bem-me-quer, bem-me-quer, bem-me-quer..."

 

 

 

publicado por Rui Correia às 01:10
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6 comentários:
De fj a 26 de Maio de 2011 às 14:01
interessante!

(e olha que, isto vindo de mim, é um grand'a elogio)
De Rui a 26 de Maio de 2011 às 20:22
Poizé. Eu sei.
De Cláudia a 27 de Maio de 2011 às 13:56
Caro Rui Correia, é tão óbio destacar-se em atitudes de esforço, por generosidade , vocação e, prazer de amar ao que se faz, e quão despercebida diante da fragilidade, esta que injusta causa falta cordialidade, expressão do quão atencioso foste com teus alunos, e o que por muitos o diriam, que não passa de vossa obrigação... Porém, aponto ao distanciamento, justamete neste detalhe, quando o heroísmo passa pela disposição da entrega.
No entanto, os teus alunos serão felizes e estes, hão de levar consigo a notoriedade do teu esforço, que a cada um deles multiplicaste.
Admirável é o homem que não apenas planta, mas, rega a semente, e faz a certeza na doçura dos frutos.
De Cláudia a 27 de Maio de 2011 às 13:58
Correção - " Óbvio "
De luisa pedro a 28 de Maio de 2011 às 17:08
Já tive o privilégio de ver!
É lindo e comovente. Confesso que tive vontade de chorar quando me apercebi do que estava escrito mas, por vergonha, engoli em seco e ninguém percebeu!
Parabéns a todos os que, em quatro meses, nos descrevem num quadro, que ser feliz é só uma soma de muitas, grandes e pequenas palavras, que sentidas fazem toda a diferença.
Ser feliz é para todos, e em todas as idades! Se nunca esquecermos isso, vamos sempre conseguir sê-lo, um pouco todos os dias.
De Rui a 1 de Junho de 2011 às 01:32
Hei-de fazer chegar estas mensagens aos meus alunos, destinatários primeiros, sempre, do que quer que faça numa escola. Mas não únicos, acrescento. É por isso que pedi o vosso parecer.

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