Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

xenodixit

Portugal é único. E isso tem de acabar.

Portugal era o único país europeu a ter as suas chefias escolares eleitas democraticamente, aspecto em que foi invejado por muitos outros países que adoptaram o modelo unipessoal sem qualquer sucesso que faça divergir os seus resultados de gestão quando comparados aos nossos.

Como Portugal era o único a fazer isso, decretou-se: acabe-se com isso.

Portugal era (é?) o único a lançar um bandeirante sistema de quotas para aceder ao escalão máximo da carreira de professor.

Como Portugal era o único a fazer isso, decretou-se: acabe-se com isso.

Em Portugal o indispensável é que haja alguém estrangeiro a dizer coisas. Se não for estrangeiro, ao menos que seja da OCDE. (Eu, como conheço gente da OCDE, sempre vos vou dizendo que os tipos são óptimos, mas não me parece que se tenham em tanta conta quanto os portugueses os têm).

Certo e sabido é que, se for um estrangeiro a dizer coisas, faça-se e decrete-se como diz o senhor ou a senhora do estrangeiro. É como diziam os gato fedorento num outdoor célebre: “Com Portugueses não vamos lá”.

Ontem, foi o Don Tapscott que dizia que o modelo português é o melhor. Se ele diz, (e atenção que ele é estrangeiro e ao mesmo tempo que é estrangeiro também não nasceu em Celorico da Beira ou Sever do Vouga), é porque é verdade.

Hoje, é a consultora Deloitte que diz que Portugal anda a inventar.

Imediatamente acendeu-se o alarme “xenodixit”. 'Red Alert Red Alert. Alguém de fora disse coisas sobre nós'. Acendem as luzes e todos andam em correria com os braços no ar nos corredores.

"- Mas que dizem eles? - perguntam-se uns aos outros.

- Parece que isso das quotas é coisa portuguesa. - responde alguém.

- Portuguesa? Mas portuguesa, como? Só portuguesa? Mais ninguém? Ninguém? Nem no Vanuatu?"

Vivemos no síndroma pós salazarista do “inadmissivelmente sós”. É preciso é calma. É preciso é placidez. O povo é sereno. Se Portugal era (é?) o único país da Europa a ter quotas, então imediatamente, se percebe, sempre se percebeu, só não via quem não quis ver, que isso das quotas, sempre foi, nunca deixou de ser e mesmo antes de Jesus, Maomé e Buda terem nascido, ainda antes de haver a palavra “ainda” e mesmo antes do advento natal da palavra “antes” já as quotas eram transitórias. Aliás, quando se inventou a palavra "quotas" aquilo já era para que significasse "coisa que é para acabar daqui a dias" e nunca o significado que, por corruptela dos tempos, acabou por vir malogradamente a adquirir.

Nada mais simples. Simplório.


_______
A propósito desta notícia.
publicado por Rui Correia às 21:52
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