Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Ariete

"French unease helps far right", diz hoje uma excelente reportagem da edição internacional do New York Times. Quase em simultâneo, acabara de ouvir uma entrevista, longa, de Marine Le Pen num canal belga de televisão. Não obstante a insuportável clareza simplista e desonesta das suas ideias, devo acrescentar uma coisa igualmente indesmentível. A filha não sai ao pai. Fluida, determinada, empática, telegénica e segura, portadora de mensagens mandibulares que assentam como uma luva no coração dos mais desfavorecidos, que o têm nas mãos. Em todo o caso, a extrema direita não mostra sinais de ser capaz de reunir consensos junto da maioria da população. A front nacional recusa ser racista, extremista, sexista, anti-semita e revisionista quanto ao holocausto, numa ruptura óbvia com Jean Marie Le Pen. Abertamente anti-europeístas, defendem um regresso suicida ao franco e usam os muçulmanos, a insegurança, a insustentabilidade da segurança social e a falta de emprego como um credível ariete ideológico. Ultimamente, a direita vai ganhando tantas eleições como as que perde. Perde-as consistentemente sempre que se aproxima dos corredores do poder. Mas não tenhamos ilusões, a lâmina penetrante das suas ideias vai marcando a agenda política e cresce na exacta medida da intolerância às tradicionais debilidades de uma abusada democracia, tão ébria como exausta por tantos escândalos, por tanta corrupção.
publicado por Rui Correia às 00:40
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1 comentário:
De Luisa Pedro a 10 de Abril de 2011 às 21:09
Enquanto não entendermos que a crise é uma oportunidade, para sacudirmos o conformismo e nos inconformar-mos , apelando ao que de melhor existe dentro de cada um, para que cada um faça o seu melhor!
Enquanto acharmos que a solução dos nossos males assenta nas decisões ou indecisões dos outros! Estamos só a criar espaço para que o mais terrível dos sentimentos avance. Sem medos o Medo toma o lugar do certo e com ele, nasce a nossa capacidade incendiaria de nos colarmos a quem faça por nós, o que achamos não conseguimos fazer.
E é assim que os movimentos radicais avançam, só nos resta o bom senso para não permitir que floresçam nesta Europa tão enfraquecida.

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