Domingo, 27 de Março de 2011

Filisteus

Agora que o psd lançou o anzol aos professores - e famílias, maridos, esposas, pais e mães - anulando, justificadamente, mais um patético falhanço educacional da história de Portugal, estude-se com atenção aquilo que o psd vem dizendo para justificar esta sua hipócrita, mas sobretudo recente epifania. Para já temos apenas vagas menções mas, como se sabe, são essas as que mais nos esclarecem. "Tínhamos de acabar com essa coisa da avaliação inter pares", disse há dias o homem a quem o psd entregou o cargo de explicar o inexplicável. Por isso, o psd prepara-se para criar um novo mecanismo que pode muito bem vir a ser a mesmíssima treta que se tinha, substituindo colegas de escola por professores vindos de outras escolas e clientes, pagantes e mendicantes, de mais acções de formação, concluídas por encomenda dhl. Depois, paremos um pouco. Aqui há umas semanas debatíamos, (todos nos debatíamos), por que razão pessoas tão credíveis como Jorge Sampaio saltaram para dentro da carruagem anti-docente. Que importância, que antipatia, que animosidade, (que inveja?) é esta que os professores suscitam na sociedade portuguesa? Que pole-position inversa é esta? Tê-la-emos? Merecê-la-emos realmente? Bem sei que tenho colegas que os tribunais deviam proibir de entrarem numa escola. Todos sabemos. Mas qual é a profissão que não tem gente desta? Soa quase em exclusivo a bode expiatório. Pois o estarrecimento continua quando, numa circunstância financeira como a que atravessamos, o psd escolhe como primeiríssima operação legislativa, a suspensão da avaliação de professores. Isto, para além da cupidez eleitoralista que revela, demonstra inequivocamente, o estado de demência que atravessamos. Não haverá nada de mais urgente do que isto? Só eu sei a alegria que sinto por ver mais uma de milhões de más ideias educacionais a estilhaçar-se no chão, estraçalhada sob o peso da sua própria enormidade. Mas fico perplexo porque acredito, sinceramente, que alguém perdeu o tino. E o melhor seria que alguém o tivesse conservado, no meio da tempestade. Parece bem que não. A terra, para esta gente, parou de girar, sendo claro que o sol afinal sempre "si muove".
publicado por Rui Correia às 22:45
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2 comentários:
De mané a 29 de Março de 2011 às 22:35
Obrigada Rui. Finalmente encontro alguém q vê como eu....começava achar que pertencia a outro planeta. Sou professora com orgulho e convicção. Considero o modelo em morte lenta indescritivel. Mas esta atitude do PSD depois de tantas hipóteses de tomar posição, fazê-lo neste contexto... que nojo. Não festejo com esta gente. Bj
De Luisa Pedro a 10 de Abril de 2011 às 20:44
Pois é caro Rui, indescritível!
E o mais caricato é que a oposição, a uma só voz votou a favor...
Eu acho, e é só a minha opinião, que a inteligência afere-se pela nossa capacidade de, distanciando-nos das situações, conseguirmos perceber o que elas efectivamente significam.
A avaliar pelas ultimas decisões dos nossos digníssimos deputados, eu quero convictamente acreditar que andam todos muito distraídos na caça ao voto!

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