Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

duas ou três ruínas

 

Um dos emblemas da cidade das Caldas da Rainha, os Pavilhões do Parque, está a cair. Em breve, estas mesmas páginas anunciarão o seu desmoronamento. Não o digo por efervescência; digo-o porque há, literalmente, pedras a cair. Quem visite o belo parque D. Carlos I, reparará no conjunto arquitectural que ali foi erguido no século XIX para acolher os banhistas das Termas mais cobiçadas de então. Mas o imóvel nunca cumpriu a função original; tinha o destino traçado como num mau fado. A apatia e a indolência mergulharam esta jóia da arquitectura termalista num poço de inércia.

 

Os Pavilhões do Parque são um emblema das Caldas da Rainha; um símbolo do dilema que mais refreia o crescimento desta cidade. Que proveito pode esperar-se do relacionamento entre a administração falida do Hospital Termal (proprietária de património urbanisticamente estratégico em ruína) e uma Câmara Municipal que vive num estado de espera e em função do que quer que lhe caia no colo? Uma parceria que deveria reunir o dobro das energias e das influências revela-se um factor a dobrar de entorpecimento e de paralisia política. Os Pavilhões do Parque são o emblema dessa irresolução em que ambas as administrações se afundaram, num irresponsável jogo do empurra: “Fica lá tu com os Pavilhões? Eu? Eu não. Vá lá, ao menos fica com um. Não quero, já te disse”. Digo-vos: um dia destes alguém ainda se magoa.

publicado por Rui Correia às 17:29
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4 comentários:
De Cláudia a 25 de Fevereiro de 2011 às 13:40
"Sunt lacrimae rerum"
Existem as lágrimas das coisas.

Expressão de Virgílio Eneida, I, 462. Nos grandes infortúnios até os seres inanimados parecem chorar.

De Rui a 1 de Março de 2011 às 02:06
Lindeza.
De Isabel a 28 de Fevereiro de 2011 às 22:11
É com muita pena que assisto à morte dos pavilhões. Primeiro, porque são um símbolo das Caldas. Segundo, porque estarão para sempre ligados ao que hoje sou e sei_ foi lá que (se exceptuarmos os 5 anos de Externato Ramalho Ortigão), eu fiz a minha escolaridade:
-2ª, 3ª e 4ª classes- Primária.
- 6º e 7º anos do liceu.
- 1º, 2º e 3º anos do Magistério Primário.
Contas feitas são 8 anos da minha vida! Durante 8 anos vivi nos Pavilhões! Não me conformo com o seu desmoronamento/desaparecimento.
De Rui a 1 de Março de 2011 às 02:07
Imagino...

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