Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

pedra-pomes

 

“Você pertence a essa lista? Essa lista, não, que é para pôr o Director no olho da rua”. Ao que chegámos. Estamos nisto. Começaram as cominações, as advertências, as premonições. Já ninguém quer saber se a escola funciona ou se está na pior condição em que alguma vez a vimos. O importante é estar. Permanecer. “Estar” significa uns dinheiritos a mais – a vidinha – e “uma certa pole-position” (polé position?) que não se obtém de outra forma. Numa coisa têm razão aqueles que mais medo têm de perder o pé. Pertencer a uma lista significa. Ou então, não significa nada. Pode muito bem ser que não signifique coisa nenhuma. Enfim, todo o cálculo é aceitável, a não ser resida num dos rins.

 

A propósito de cálculos, recordo-me quando há uns anos se constituía uma lista candidata para o Conselho Executivo da minha escola. Dizia-se que nada podia ser pior para o futuro da escola. Pessoas com quem me dou hoje serenamente vilipendiaram tudo o que havia a vilipendiar, sempre por vias travessas, porque se dizia que vinham aí os hunos, preparados para pilhar, incendiar, amotinar, esfrangalhar. A verdade é que foi o que foi. Tudo verdade. Não ficou pedra sobre pedra.

publicado por Rui Correia às 09:49
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2 comentários:
De Inês Teotónio Pereira a 17 de Novembro de 2010 às 20:59
Tenho um filho tipicamente português. Só lhe falta o bigodinho e a barriga de cerveja para ser um fiel exemplar da genética lusitana. Em giro, claro. Ele é bem-disposto, esperto, simpático, generoso, bondoso, esbanjador, pachorrento, paciente, orgulhoso, esforçado quando tem de ser, desconfiado com o desconhecido, leal, rabugento e feliz. Está quase sempre contente. Só não está contente quando tem de estudar, arrumar o quarto, ir para a cama, tomar banho, apagar a luz, comer sopa, peixe ou salada ao jantar ou quando tem de ir fazer um frete qualquer que não lhe apetece nem um bocadinho porque está esparramado a ver televisão. Tirando estas curtas e intermitentes contrariedades da vida, é um rapaz feliz, o meu filho.
Dêem-lhe uma bola de futebol, praia, amigos, carrinhos, uma televisão e uns joguinhos de computador e ele fica bem, muito bem-disposto. Sem stresse, em paz e na boa.
O meu filho nasceu no país certo. Entende Portugal como ninguém e Portugal entende-o lindamente. Está na vida em doses moderadas, assim como Portugal está no mundo: presente em todo o lado, apanhando uma onda aqui e ali, com feitos notáveis que fazem história na história da família, coleccionando amigos e simpatias. Se é preciso ele vai e faz, e faz muito bem. Se não é preciso, não faz. Descansa.
Esta semana a professora chamou-me à escola. Resumo da reunião: se o meu filho é Portugal, a professora é "os mercados". E eu... bem, eu sou o primeiro-ministro dele. Mas um primeiro-ministro daqueles que gostam do país, claro. "Temos de começar a trabalhar", disse-lhe eu ontem. "Eu crio as condições de estudo; tu estudas." Já começámos.
De Rui a 18 de Novembro de 2010 às 00:30
Já lera a crónica no i. Onde me virei a rir foi no "a professora é 'os mercados' "

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