Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

nada

Aviso já que estou a quente e não quero nem vou coibir-me de escrever assim, pela inteligente razão de, para o caso, não ter importância nenhuma.

 

Fui aluno de 1968 até ao ano passado. Sê-lo-ei em breve, de novo. Carrego, no lombo, centenas de milhar de horas de aulas. Tive hordas inteiras de professores. Por isso sei do que falo quando falo de alunos, lições e prelecções. Creio, por consequência, estar em posição suficiente para vos desabafar que nunca na minha vida assisti a um despautério tão absoluto como aquele que tive de experimentar hoje.

 

Um conferencista universitário com um potente currículo académico que devia falar por si. Em vez disso, nada disso. Quem falou foi o conferencista. Um deserto. Nada. Hora e meia de coisa alguma quando a ideia era que nos sobejasse alguma coisa. O tema era Arte. Saiu-nos um furúnculo. Uma borbulha. Um bubão.

 

Não estive só na estupefacção. Toda uma plateia atónita com tanta pataratice basbaque, sentada num torpor doloroso, interminável, aturando a invulnerável pusilanimidade das suas loas. Todos lhe guardámos um silêncio vexatório. Envergonhadíssimo. Trapaça atrás de trapaça num crescendo ininterrupto de barbaridades inclementes que a todos obrigava a confirmar vezes sem conta se aquele currículo pertencia mesmo àquele indivíduo. E, no entanto, a termos todos de concluir que sim. Que pertencem um ao outro. Que dizer do que isto diz?

 

Pior que tudo o mais, pareceu-me ser uma boa pessoa. Simpático e até galanteador. Pobre homem. Alguém devia impedir esta criatura de aceitar convites. E, por clemência, no que à Arte diz respeito, ninguém lhe deveria endereçar nenhum.

publicado por Rui Correia às 23:41
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