Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

nós

 

“Tu devias era falar sobre isto”. “Então tu não escreves sobre aquilo?” “Hás-de é escrever sobre este gajo que”. “Sabias que ele e ela…” “Andas muito calado, tu.” “Tu desancaste bem naquela estúpida”. “Tu não desancaste bem naquela estúpida”. “Tu devias acrescentar que”. “Quando é que regressam as capturas? Aquilo é que era”. “Parece que antigamente eras mais… “. “É por causa lá das tuas políticas?”

 

Entendamo-nos rapidamente sobre algumas coisas.

 

Este blog não é um programa de discos pedidos. Não sou nenhuma jukebox de frustrações alheias. Neste blog, livre e pessoal, no que respeita a frustrações, está inteiramente reservado o direito de admissão apenas às minhas. Fiascos e júbilos, aqui só entram os meus e os de mais ninguém.

 

Nunca me passa pela cabeça “desancar” este ou aquele. Muito especialmente se um e/ou outra forem “estúpidos”.

 

As “capturas” disseram respeito a um momento específico de usurpação de uma legalidade e da interrupção excêntrica de um poder democraticamente eleito. Tudo o que decorre dessa usurpação é algo que considero vil e, ainda hoje, impugnável.

 

Todos quantos, e parece haver cada vez mais, andam desiludidos consigo mesmos e desejam ver isto ou aquilo escrito aqui, quantos desejam ver este ou aquela envoltos em difamações tóxicas, não se dêem ao trabalho de tentar encomendar prosas. Não existe atendimento público neste postal. Não contem comigo.

 

De resto, é especialmente humilhante ver pessoas que, em momentos críticos, estiveram caladitos enquanto se dava a usurpação ilícita e excessiva de um mandato, agora queiram à viva força mostrar-se uns “resistentes” de raça e gema a pedir-me isto e aquilo.

 

Reparo que estes bravos da companhia contam com a audácia dos outros para não ter de “gastar” da sua. Na tropa, há muitos anos, aprendi que a última coisa a pedir é munições alheias.

 

Por isso aqui vos deixo o que penso sobre isso tudo.

 

Traindo uma fraternidade antiga e justa

  • vós aceitastes pertencer a uma lista para o Conselho Geral Transitório. Nós não.
  • vós votastes a favor da criação de um Conselho Geral Transitório. Nós não.
  • vós estivestes no sítio onde foi eleita uma presidência de Conselho Geral Transitório. Nós não.
  • vós aceitastes abrir concurso para Director. Nós não.
  • vós tivestes uma oportunidade de devolver a razão a quem a tinha, devolvendo um mandato a quem havia sido injustamente desapossado de um mandato legítimo. Nós não.
  • vós elegestes um Director. Nós não.
  • vós tendes aquilo que aceitastes e com que colaborastes. Nós não.

Tenho por hábito antigo e justo, cumprir a lei. Um tribunal disse-nos que a lei seria assim. Seja, pois. Tal como antes considerei inadmissível o que fizeram com um Conselho Executivo legalmente mandatado, contra o qual muitas vezes me insurgi, assim me insurjo contra aqueles que agora gostariam de usar este blog para insultar por insultar, vilipendiar por vilipendiar, infamar por infamar, inflamar por inflamar e vê-lo a envolver-se em vidas pessoais que a ninguém dizem respeito. Tenho visceral repugnância por essas coisas.

 

A vida ensina-nos que nem sempre é desejável separar o trigo do joio. Mas este processo obrigou-nos a ver separados trigo e joio. Estão separados. Quando foi altura de os separar, uns foram para um lado, outros para o outro. Esse momento trouxe consequências pessoais inesquecíveis. Quase tudo na vida exige decisões. De um lado estão todos quantos hoje, finalmente, percebem a extensão do erro que cometeram, por cálculo e por mediocridade, e que atirou a nossa escola para o fim de todas as listas. Saiu tanto aluno de cá que, pela primeira vez na história, já não estamos sobrelotados. Os responsáveis por isto são conhecidos. Sois todos quantos decidistes trair a tal fraternidade antiga e justa. Resta-vos terdes de viver convosco mesmos, produzindo copiosa argumentação que vos absolva.

 

 

Tereis de viver com a tacanhez das vossas decisões. Para muitos não é, de resto, novidade; é território que conheceis bem.

Agora parece que alguns de vós tendes nós na garganta.

 

Sabeis que mais? Nós não.

publicado por Rui Correia às 16:52
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15 comentários:
De Isabel (a outra) a 6 de Outubro de 2010 às 19:24
Ora viva,

Excelente texto. Parabéns Rui.

Slogan para Santo Onofre: "Nós não"

bjs

De Sandra Amaral a 7 de Outubro de 2010 às 14:03
Parabéns Rui! É isso mesmo.
Nós não!!!
Agora... é só ver os ".........." a tentar abandonar o barco.
Beijinhos
De Mena a 8 de Outubro de 2010 às 12:40
Olá, Rui!

Mais um texto soberbo, gostei muito e também digo alto e bem som: "Nós não". Hum... e sabe tão bem dizê-lo e poder dizê-lo!

Bj
Mena
De Anónimo a 8 de Outubro de 2010 às 12:42
Para alguns!
De Anónimo a 8 de Outubro de 2010 às 12:45
Este "Para alguns" era em relação ao comentário do slogan para Santo Onofre!... Que nabice!
De Isabel a 8 de Outubro de 2010 às 13:23
TEMA DA ÁREA DE PROJECTO do AGRUPAMENTO: "Nós com os outros"
De Anónimo a 8 de Outubro de 2010 às 22:28
Não deixa de ser irónico!
De AM a 9 de Outubro de 2010 às 23:06
A coerência é cada vez mais escassa na sociedade portuguesa e a escola não foge à regra, acompanha essa tendência.

É oportuna a mensagem da inesquecível Sophia :

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.


Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner
De Anónimo a 11 de Outubro de 2010 às 01:44
Antes as linhas orientadoras para o Pro. Edu. do Agru. So. On.
De Maria a 11 de Outubro de 2010 às 22:23

Quais linhas? Qual projecto?
De Julio Reis a 11 de Outubro de 2010 às 00:07
Lindo. Parabéns Rui. É dificil transmitir em descritivo escrito o que sentimos em emoção. "Nós sempre".
De Prof a 11 de Outubro de 2010 às 01:56
"Nós sempre". Salvo seja...
De Helena a 12 de Outubro de 2010 às 19:11
Muito bom como sempre, os pontos nos iiis sem papas na língua :-)
De Hélia a 13 de Outubro de 2010 às 22:32
Não há nada como a consciência tranquila.
Obrigada, Rui, por dizeres como só tu sabes o que nos vai na alma.
De Cláudia S. Tomazi Brasil - SC a 13 de Outubro de 2010 às 22:34
Olá, Sr. Rui!
Apenas passando por aqui, e atestando vossa performance neste verbário. Muito agradável sua linha de exposição.

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