Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

projecto

Quero mostrar-vos um trabalho que concluí com os meus alunos este ano que revelou coisas absolutamente inesperadas. É, antes de mais, um trabalho de recolha de depoimentos e de leitura. Lemo-los todos em conjunto, para inesperado fascínio colectivo. É só para quem goste tanto de ler como de pessoas, portanto.

 

Como discordo que a Área de Projecto seja uma coisa em extinção. Área de Projecto é o derradeiro reduto de liberdade curricular de professores e alunos; um lugar curricular, de resto, para onde toda a escola deveria encaminhar-se. Enfim... chama-se "primeiro lugar", é simplicíssimo e fica aqui. Se puderem dar uma vista de olhos e voltar aqui para dar opinião, seria óptimo.

 

Já agora convido-vos a passar na biblioteca municipal onde está exposto um outro trabalho de Área de Projecto chamado idiomatismos e que tem sido incrivelmente bem aceite por todos. O projecto idiomatismos resulta de um trabalho realizado pelos alunos do 7º e 9º anos da escola básica integrada de Sto Onofre, Caldas da Rainha e inscreve-se numa orientação pedagógica de educação para a criatividade. O trabalho consistiu numa recolha pelos alunos de expressões idiomáticas portuguesas, seguida de debates, em contexto de aula, onde se descobriam as diferentes acepções destas expressões tão populares.

A expressão literal destas frases em formato gráfico, visual, reciclando materiais sem serventia, pretende prestar uma homenagem tanto à riqueza do infinito património linguístico português, como à insuspeita e poderosa importância didáctica do humor, que conduziu todos os momentos deste trabalho.

 

Fica aqui o teaser

 

"Não queremos cantar de galo, nem isto serve para dar nas vistas, mas achamos que esta mostra consegue chamar a atenção acerca do que é dar à língua e do que a nossa língua, a portuguesa, tem para dar. Sem papas na língua. Gostámos da ideia de pôr estas expressões tão conhecidas em pratos limpos, por assim dizer. Não somos de encolher os ombros, de deixar andar, de não mexer uma palha, nem de virar as costas aos desafios. Somos de arregaçar as mangas, entregámo-nos de corpo e alma, cada um puxou pela cabeça e começámos a dar no duro. No princípio andávamos um bocadinho às moscas, estávamos de pé atrás, mas depois a coisa ficou no ponto, apanhámos-lhe o jeito e ninguém se foi abaixo. Correu tudo de vento em popa. Não houve amargos de boca. Foi um nunca mais acabar.

Esperamos ter dado conta do recado. Não façam pouco. Sabemos que não é possível agradar a gregos e troianos. Para juntar o útil ao agradável, a biblioteca municipal prometeu-nos abrir as suas portas e nunca voltou com a palavra atrás. Esta exposição só fazia sentido aqui. Não é para puxar a brasa à nossa sardinha, mas achamos que ficou a matar.

(Enfim… presunção e água benta…)

 

Os alunos do 7ºE e do 9ºB

Escola Básica Integrada de Sto Onofre

Ano lectivo 2009/2010"

 

publicado por Rui Correia às 13:12
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10 comentários:
De Isabel X a 8 de Julho de 2010 às 15:48
Adorei! A ideia, a concretização, o texto do post, tudo afinal.

A expressão "dar no duro" fez-me lembrar e uma vez em que, com um grupo de amigos, começámos a dizer expressões em que se usasse o verbo "DAR" sem ser no seu significado primeiro.

Foi uma experiência e tanto. Chegámos às vinte e seis!

Conclusão: para "DARMOS" assim tanto só podemos ser mesmo um povo muito generoso!

Beijinho,

- Isabel X -
De Rui a 8 de Julho de 2010 às 20:37
Obrigado pelo teu comentário, Isabel. Não há nada menos pretensioso do que este trabalho mas superou as expectativas que todos nós criáramos. Os alunos trouxeram textos inacreditáveis. Cada pessoa por quem passamos na rua, com o ar mais pusilânime e transeunte transporta uma história fabulosa para contar. É essa a conclusão a que chegámos. Cada um de nós está cheio de histórias. De bushquimanes a campeões nacionais de hoquei em patins, passando por lords ingleses, amores realmente felizes e mulheres que atravessam a fronteira clandestinamente, a fugir da guarda para irem a Espanha fazer permanentes (que cuidado no regresso...), ultrapassou tudo o que imaginara.
Ainda bem que gostaste.
De Isabel X a 8 de Julho de 2010 às 20:47
Sem dúvida!

Se olhássemos cada rosto e víssemos nele a expressão do mistério que encerra, a luz que só esse rosto possui, seríamos capazes de distinguir tanto e tanto que nos passa despercebido em nós mesmos... tanto e tanto que nos completa. Por isso andamos por aí incompletos...

Bjinhos Rui

- Isabel X -
De Rui a 9 de Julho de 2010 às 00:03
mistério - que palavra, não é?
De Isabel a 9 de Julho de 2010 às 00:01

Embora já conheça este magnífico trabalho, quero dizer-te aqui que voltei a ler estes depoimentos, alguns comoventes.
Com uma simplicidade enormérrima fazem -se coisa grandiosas.
Bjo
De Rui a 9 de Julho de 2010 às 00:06
Ainda hoje pensava: ser professor permite-nos fechar uma porta atrás de nós e abrir vinte e tal de repente à nossa frente. Não há muitos empregos assim. E que importante tem sido fechar a porta.
De Isabel a 9 de Julho de 2010 às 08:57
É verdade, Rui. Penso como tu e são os alunos a única coisa que me fazem andar por aqui com gosto. Apesar de tanto nós como eles sermos tão maltratados. Sim, porque este sistema de ensino, trata muito mal os alunos. Temos de continuar a ser nós, professores, a tentar minimizar os estragos o melhor que podemos e sabemos. E tu fá-lo tão bem!
Bjo
De Rui a 10 de Julho de 2010 às 01:27
"minimizar os estragos". Nunca tinha pensado a coisa assim.
De José Mota a 13 de Julho de 2010 às 22:35
Sou grande fã dos projectos que fazes com os teus alunos. Depois de passar por eles fico sempre mais reconciliado com as agruras da profissão e relembrado das razões por que ser professor é às vezes tão nobre e emocionante. E dá-me logo vontade de ir experimentar coisas novas seja lá onde ando a ensinar na altura :-). Todo o edudepo.org merece uma visita pausada e muitos retornos para apreciar mais uma vez. Grande projecto este. Fico feliz por ti e pelos teus alunos.

Um abraço
De Rui a 14 de Julho de 2010 às 01:03
Isto vindo de um insigne docente universitário, ainda por cima de primeiríssima água, deixa-me desvanecido. Resta-me a consolação de te saber para além de muitas coisas mais e melhores ainda, um simpático. Obrigado.

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