Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

vacinação

É impressionante a tenacidade que vem revelando-se junto de alguns senhores em tentar por todos os meios assegurar a sua continuidade como directores de agrupamentos ou de escolas. Tudo o que se diz e ouve é medido ao milímetro. E reproduzido a metro.

 

Tudo vale para denegrir este e aquele, agora que tudo se conjuga para que comecem a aparecer os megadirectores. Uma palavra aqui, outro remoque acoli, neste e naquele locais escolhidos, aproveitando toda a circunstância que se revele conveniente, vacinando esta e aquela pessoa, aparentando uma displicência postiça, são neste momento as armas escolhidas para deitar abaixo todos os putativos candidatos e lograr alguma autoreverência.

 

Num exercício de maiêutica inepta, desastrada, anda-se por todos os meios, mesmo os menos subtis, a cheirar que ar se respira à tona de água, numa altura em que todos se vêem a caminho de uma exoneração, que encaram como um ostracismo sem regresso. Não parece haver neste momento qualquer reticência em quebrar o verniz. Faz lembrar aquela metáfora política clássica: qualquer coelho que levante as orelhas é imediatamente espingardeado por atiradores furtivos, e repito-o, furtivos, que procuram a todo o custo impedir quem quer que julguem estar a chegar-se à frente.

 

Vivemos tempos de transe. Já ninguém fala de alunos, nem de didáctica. Nem sequer de gestão. Fala-se de feudos e vassalagens. Que idade.

 

Entretanto, outros, patológicos incuráveis, ocupam-se afanosamente a inventar papelada ilegal, incompetente, errada e estúpida porque para nada serve a não ser para que outros se demorem a aprender quem manda, mesmo que ilegal, incompetente, errada e estupidamente. Formulários e actas e inquéritos e modelos e mais formulários e actas e inquéritos e modelos que servem apenas para mostrar que bom mesmo era aquilo que se fazia nas escolas de há trinta anos atrás. Preencha isto. Agora aqui também. Escreva aqui. E agora neste espaço aqui. Já viu quem está aqui em baixo? Sou eu. Eu é que mando aqui. Já sabia? Pronto. Mas ao menos agora já sabe o mesmo mais outra vez. Vá lá, só mais uma vez. Escreva aqui uma coisa inútil e redundante. Cole aqui a sua fotografia. Trinta anos. Lembram-se? Coisas do tempo em que ainda julgávamos que já todos podíamos ser, finalmente, maiores e vacinados.

publicado por Rui Correia às 14:41
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4 comentários:
De Isabel a 2 de Junho de 2010 às 22:30

Fantástico mesmo!
Só tenho um reparo: há trinta anos faziam-se coisas bem mais úteis que agora. E falava-se de alunos. E de didáctica.
De Isabel a 3 de Junho de 2010 às 09:10
Tu sabes o que eu quero dizer! Já tenho 32 anos de serviço e devo dizer-te que naquela época, embora digam que o ensino estava centrado no professor, estava mais centrado no aluno do que agora. Hoje está centrado na burocracia inútil que cresce diariamente.
De Rui a 8 de Junho de 2010 às 16:17
Por isso mesmo é que acho muito que

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