Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

democrisia

Eu conheço-o e é um homem bom. Mas quando a cultura política de um líder de bancada, neste caso do psd, procura justificar o injustificável acaba dizendo asneiras como esta que hoje aqui reproduzo e que ofende a cultura democrática de um órgão com a importância local que tem uma assembleia municipal. Não é meu costume dar, sobretudo aqui, importância a estas coisas, mas esta revela tão clamorosa consonância com os tiques autoritários que vamos vendo a renascer um pouco por todo o lado que vale a pena ver o absurdo que nos vamos resignando a atingir. E não podemos.

 

A propósito do silêncio que o psd decidiu impor sobre os munícipes caldenses na sua assembleia municipal, reduzindo para duas horas e meia o tempo total permissível para todos os cidadãos durante todo o ano.

 

Hoje [dia 6 de Abril] não tivemos a participação do público como não tivemos variadíssimas vezes noutras reuniões em mandatos anteriores”, disse Alberto Pereira (PSD), que considera falso que este regimento seja castrador da presença do público nesta Assembleia. Disse ainda para se fazer uma pequena estatística do público que interveio no ultimo mandato, adiantando que a maioria das vezes as intervenções foram do agora deputado Fernando Rocha ou de outros elementos do Bloco de Esquerda." (Aqui)

 

Não tem comentário por tão deplorável. Mas não é o único.  Também os jornalistas se dão à altivez interesseira de desdenhar, com uma displicência quase adolescente, a relevância deste órgão e acusar os deputados de cupidez. Assim:

 

"3.150 euros em senhas de presença é quanto custa cada vez que todos os deputados municipais nas Caldas da Rainha estão quatro horas a discutir, por vezes um único assunto, e a definir o futuro do Município. Acrescido a este valor, há que fazer contas ao subsídio de deslocação de alguns deputados por não terem morada no concelho das Caldas, algumas despesas de representação do presidente da mesa da Assembleia, senhas de presença dos deputados nas comissões da Assembleia que reúnem todas as semanas ou alternadamente com as sessões da Assembleia Municipal, despesas em horas extras com funcionários, luz e consumíveis."

 

E, não contente com o facto de ter forjado uma parangona completamente demagógica, opta depois pela aldrabice pura e simples, num discurso absolutamente parcial e tendencioso:

 

"Este foi o tema dominante do ponto de informação da actividade municipal, onde alguns deputados estiveram mais preocupados com a situação financeira da Câmara, e mais propriamente com as senhas de presença que têm direito, do que com as obras que a edilidade tem realizado nos últimos meses."

 

(Aqui)

 

Eu não sou deputado da Assembleia Municipal. Mas estive onde esteve o jornalista e é tudo falso. Apenas isso. Falso. Mas lá que vem ao encontro do apetite popular, populista, popularucho e, mais do que isso, preguiçoso de abater tudo o que mexe desde que seja vindo dos "políticos" lá isso vem. O aborrecimento mortal de alguém que não está contente com a sua vida porque é escalado para fazer estes trabalhos "menores" e talvez já tenha desistido de ser o Bob Brandon ou o Darrell Barton português, não pode fazê-lo perder as suas estribeiras éticas.

 

E o que custa mais, e é por isso mesmo mais imperdoável, é que o conheço e é um homem bom. 

publicado por Rui Correia às 13:07
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