Terça-feira, 6 de Abril de 2004

aos papéis

Quando começámos o segundo mandato, disse-te que gostaria de o terminar com o Pavilhão Gimnodesportivo construído. Um laivo de ambição, admito. Perdi, entretanto, semelhante aspiração. Nunca imaginei que uma vontade que sei ser tão viável quanto legítima nos fosse - a todos, professores e alunos - tão torpemente defraudada.
Aquando da assinatura pública do protocolo, a última vez em que tantos presidentes e directores trouxeram as suas gravatas à nossa escola, o jornal chamou a tudo aquilo "Pavilhão de papel". Um folguedo de promessas foi então escrito a tinta, para que se não faltasse à palavra. Hoje, dizem-nos, está tudo feito, pronto para começar e nada, porém, se constrói. Todas as semanas temos notícia institucional de mais um avanço insignificante, mas sempre promissor. Nada, porém, se constrói. As autoridades comprometem-se com rúbricas, trocam mimos, faxes e ofícios. Nada, porém, se constrói. Abandonam o seu dia útil para concluir, in situ, as impreteríveis medições. Nada, porém, se constrói. (...)
Novamente alguém me confessou hoje, com firmeza, que não quer imaginar a escola sem ser dirigida por nós. Quis mesmo a minha palavra de honra em como ficávamos. O susto que me pregou com aquilo só agora to confesso. Nada lhe soube dizer. Perco sempre o pé se me atrevo a nadar nos rios da ambiguidade.
Mesmo atadas a um papel com fios de tinta preta, o vento sempre espreita todas as palavras vãs.
publicado por Rui Correia às 01:51
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