Domingo, 11 de Abril de 2004

a ciência e a insuficiência

Dois espantosos documentários televisivos. Um, da BBC, intitulado "In The Footsteps Of Moses", realizado por Edward Stourton, onde se refere a teoria da erupção de Santorini em 16 a.C. que devolve alguma plausibilidade às passagens mais extravagantes do texto mais deturpado da Humanidade. Um outro, "Mark Twain", apresentado em duas partes, sobre a vida de Sam Clemens, realizado por Ken Burns, da PBS, de quem também já vi, há uns meses atrás, um documentário também ele bem escrito e articulado sobre a Brooklyn Bridge.
Entre as inúmeras relações improváveis que se possam fazer entre Moisés e Huckleberry Finn, neste caso com o seu - literária e politicamente fundador - "Alright, then, I'll go to hell", o que mais avulta em mim é a premência constante do património humano em se emendar continuamente. Tal como um Huck que descobre no negro Jim um ser humano onde sempre lhe haviam apontado uma "peça", um "nigger", também a ciência vai desbravando realidade verosímil no conteúdo bíblico, sem o colocar em causa, dignificando-o como produto histórico credível, mais credível do que alguma vez a cristandade supusera, ou desejara, admitir. Uma credibilidade necessariamente heterodoxa - ou herética, como aprouverá a alguém - que, tanto para Mark Twain, como para os cristãos, põe a descoberto a extrema insuficiência de cada verdade instituída, tanto por todos nós, como por cada um de nós, ao longo de vidas e de séculos. Dois textos. Duas lições de humildade. Renovo a minha fé: a ciência, a arte e o desporto são os redutos da indiscrição humana.
publicado por Rui Correia às 15:18
link deste artigo | comentar | favorito

pesquisa

 

arquivo

nós

Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
31

t&d
t&d