Quinta-feira, 29 de Abril de 2004

saltitões e trampolineiros

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Estava por aqui a navegar entre os meus neurónios – uma vez, faz agora muitos anos, lembrei-me de dizer que essa seria a única coisa cinzenta que havia em mim; essa coisa? Sim, o cérebro, a assoalhada dos neurónios; e, vejam lá, até gostaria que ele fosse, no mínimo, mais eficiente (hoje penso cada vez mais assim; assim como? Ora bolas, o c é r e b r o é a m I n h a ú n I c a p a r t e c I n z e n t a, está dito e redito) – e lembrei-me de Giorgio Agamben: “Em vez de procurarem uma identidade própria na forma da individualidade, os homens devem fazer do modo como são – o ser-assim – uma singularidade sem identidade e perfeitamente comum. Só deste modo o ser qualquer pode aceder à sua possibilidade mais imanente e à experiência da singularidade como tal”. Pois é, isto levar-nos-ia muito longe.
E andava pelas singularidades quando me foram evocados os géneros humanos. Já tenho idade para ousar opinar umas coisas e ajudar a certificar, se, também aqui, as singularidades se agrupam por géneros ou por outra coisa qualquer ou se nunca se agrupam ( Agamben fala-nos no ser qualquer).
Lembro-me de um mundo habitado por condutores do sexo masculino. Havia gestos que só conheciam o corpo dos homens. Hoje vejo uma espécie de nivelamento sexual nas extravagâncias automobilísticas.

Atrevo-me mesmo a dizer, que as mulheres rapidamente assumiram o pior que nos homens havia (destaquei esta frase, dando-lhe o privilégio de um parágrafo singular, porque parece-me muito musical).

Com os cigarros passa-se o mesmo. Anuncia-se que, as piores doenças provocadas por esta praga, estão a migrar dos homens para as mulheres. Será? A singularidade não resiste aos géneros?
Os meus amigos são quase iguais em número se os dividir por género (se não for exactamente assim pouco importa, vamos fazer de conta que sim)
Os amigos homens ocupam mais cargos do que as amigas mulheres. Interessam-se muito mais por isso. Têm momentos de completa vertigem. Os amigos homens esgotam-se mais nas lutas para esses cargos do que a darem-lhes um verdadeiro sentido de utilidade pública e de dever de cidadania ( ouvi, numa entrevista radiofónica, uma homem autarca do norte de Portugal, confessar que era presidente da assembleia de mais de 100 colectividades e afins…). Saltitam, saltitam e não raras vezes usam o trampolim. Como será quando as mulheres lá chegarem?
publicado por Rui Correia às 22:14
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8 comentários:
De frangipani a 30 de Abril de 2004 às 16:38
Clones? os saltitões e os trampolineiros. Que horas eram?
De rui a 30 de Abril de 2004 às 10:55
clones?
De Paulo Prudncio a 29 de Abril de 2004 às 23:32
O que não tem que se lhe diga não existe. Será? Deus existe? E tem que se lhe diga? O quê? Não existe.
De Lus Filipe Redes a 29 de Abril de 2004 às 23:23
Dizia Jorge de Sena que

"Os homens são irremediavelmente sacanas
As mulheres visceralmente estúpidas
Os velhos cronologiamente surdos
As crianças intemporalmente parvas"

Mas para a salvação de alguns, acrescentava:

"Claro que há excepções honrosas"

E remato eu: "E são assim apesar da massa cinzenta" ou talvez "por causa da massa cinzenta".

Isto de ser cinzentão ou ser colorido (não cinzentão) tem muito que se lhe diga.

Ai, meu Deus, será que sou cinzento?
De Paulo Prudncio a 29 de Abril de 2004 às 23:01
títere ou bonifrate, este mais popular.
De Rui Correia a 29 de Abril de 2004 às 22:54
A única coisa que distingue o cinzentão de um cinzeiro é a cinza.
De Rui Correia a 29 de Abril de 2004 às 22:51
Saltitar é o sal dos títeres.
De Rui Antunes Correia a 29 de Abril de 2004 às 22:50
Aguardamos ligação a qualquer momento para ver como se desembaraçam elas do que tão voluntariamente aprenderam dos homens. Saberão elas ser muito mais homens do que alguma vez seremos? A verdade é que esta assimilação tem sido recíproca e eficaz. Com o tempo, estou em crer, tornar-nos-emos, nós homens, mulheres mulherengas.

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