Sexta-feira, 14 de Maio de 2004

atalaia

atalaia.jpg

Hoje, durante uma das vigésimas quintas horas do meu dia, fui interrompido por duas lágrimas de um gaiato de oito anos em pijama, que me chorou estar a ter um pesadelo. Uma das lágrimas já ia no queixo. A outra tinha acabado de sair. Embargada a obra em que estava a mourejar, abracei-o e senti que todo ele se depositou em mim. Um tal "monstro do armário" tinha visitado os medos do meu rapaz. Depois de tentar mentir-lhe que os monstros existem pouco e que tudo está bem, mendigou que me deitasse com ele. Sorri. Fomos, primeiro, confirmar as roupas penduradas do armário e deitámo-nos. Estive assim uma hora. Uma boa hora. Adormeci. Quando despertei junto a um sono infantil, plácido e manso, deu-me para chorar. Caídas na almofada que dividimos, deixei ali duas lágrimas ridentes, atalaias do seu repouso. Duas sentinelas em vigia de uma felicidade pequenina, mas absolutamente acabada.
publicado por Rui Correia às 10:20
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1 comentário:
De frangipani a 14 de Maio de 2004 às 16:28
Beleza e comoção no lugar da vigia.
Quem diria?
Do lado da verdadeira beleza,
Estará sempre a ideia de vagareza.

As maiúsculas indicam o início de cada uma das 4 frases.

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