Quarta-feira, 26 de Maio de 2004

outros tempos

Foi um problema. O equinócio da Primavera de 1582 que deveria ocorrer a 21 de Março ocorreu a 11 daquele mês. Verificados os cálculos, a diferença entre o ano solar e o ano civil já ia em dez dias. Por causa disso, o papa Gregório XIII mandou que o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582, uma quinta-feira, fosse 15 de Outubro, sexta. Por causa desta e de outras complexas correcções matemáticas, nomeadamente a definição exacta da duração de um ano (que o calendário gregoriano fixou em 365,2425 dias), a data hoje aceite pela Igreja Católica do nascimento de Jesus Cristo passou para 4 a.C. Ou seja, para quem, como eu, goste de comemorar o nascimento de Cristo, Cristo nasceu 4 anos antes de ter nascido.
Não foi a primeira vez. Já antes esta questão havia levantado problemas enormíssimos. No ano mil, convictos de que o mundo ia acabar, numerosos populares entregaram todos os seus bens e terras à Igreja para assegurar a salvação eterna. Mas o mundo não acabou. Chegou-se à conclusão que o fim do mundo, afinal, apenas chegaria em 1033, (mil anos + a idade de Jesus). Tudo se repetiu 33 anos depois e nada. Pela segunda vez, o mundo não acabou. Discutiu-se então a credibilidade da calendarização e suspeitou-se de um eventual erro de contagem que deveria afiançar que matematicamente o fim do mundo deveria ter acontecido em 1029. Ninguém ligou. Já era tarde demais para o mundo ter acabado. Tinham-se atrasado.


mapa dos solstícios e equinócios
publicado por Rui Correia às 09:49
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3 comentários:
De cafezeira a 30 de Maio de 2004 às 15:53
nada disso!!o ano não acabou, porque já havia o dito: a mil chegará, de dois mil não passará. E agora? Faz um alvitre,tempolivro- foste tirar o nick ao inatel? e modificaste o e para o?
De frangipani a 27 de Maio de 2004 às 22:20
E o mundo não acabou, porque existem calendários para além do gregoriano :)
De rui a 26 de Maio de 2004 às 11:33
Suspenda-se, aqui, todo o juízo. A precaridade do conhecimento humano é tão magnânime como impreterível.

"O Ano Mil" é o título do livro do Georges Duby, publicado em 1967, cuja leitura muito recomendo (Edições 70). A talhe de foice sempre recordo também que em 1995 este autor lançou um outro título de história finissecular "Ano 1000 Ano 2000 no rasto dos nossos tempos" pela Teorema.

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