Sexta-feira, 11 de Junho de 2004

rei

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A morte, na sua cegueira estúpida, levou-nos hoje o Ray Charles. Recordo do dia 28 de Março de 1997, quando o ouvi num Coliseu do Porto apinhado de reverência, o calor de um talento que aconchegou, como uma manta de lã, todos, mas mesmo todos, quantos o escutaram nessa inesquecível noite de absoluta rendição. Polida e jovial, a sua sorridente graciosidade pô-lo a conduzir o Peugeot 306 Cabriolet, no deserto salgado de Bonneville no Utah, onde a sua cegueira não era estorvo, embora quase tivesse atropelado toda a equipa de filmagem. Perdemos um homem de âmago doce. Nada nunca superará a intimidade de uma balada cantada pela sua voz trémula e quase infantil. Sabemos que os deuses querem junto de si aqueles que mais amam. Mas é sempre demasiado perder uma alma assim. O dia hoje acabou mais cedo.
publicado por Rui Correia às 02:35
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1 comentário:
De frangipani a 12 de Junho de 2004 às 01:05
Lágrimas e olhares escuros numa vida cheia de lições e de melodias - a beleza suprema. Qual seria a dor desse grande outro? A beleza e a força da nossa abençoada ignorância.

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