Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

ponteiros

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A maioria das escolas deste país decidiu suspender as actividades lectivas no dia 4 de Outubro de 2004, na sequência da tolerância de ponto concedida pelo governo. Estranhamente, a responsabilidade de acatar ou não a tolerância de ponto foi, este ano, inopinadamente cometida aos Conselhos Executivos, deste modo permitindo-se que as instâncias ministeriais camuflem a sua integral responsabilidade no atraso do ano lectivo, lançando a suspeita sobre os Conselhos Executivos e sobre os professores que afinal não dispensariam uma “ponte”, esfregando as mãos de contentamento, mesmo se a “ponte” viesse atrasar ainda mais o ano escolar, para prejuízo dos alunos e das famílias portuguesas. A torpeza da estratégia é tão impúdica como lançar sobre os professores a acusação de apresentação de atestados fraudulentos, situação antiga que se repete de ano para ano e que, de ano para ano, os Ministérios da Educação e da Saúde nunca souberam contrariar, atenuar ou suprimir.
Se o ano escolar tivesse começado mais tranquilamente, como nos anos anteriores, também as “pontes” seriam, como nos anos anteriores, decididas por quem, como nos anos anteriores, decide as “pontes”.

Mas este ano corre muita água por baixo desta “ponte”.

O atraso na colocação de professores ainda afecta neste momento o curso regular das actividades lectivas. Tal fica a dever-se nesta altura ao facto de alguns professores terem sido colocados nas escolas apenas há dias. Outros, sabendo o que os esperava (horários reduzidos, distância de casa, afastamento da família…), recusaram as colocações, estando agora a escola a braços com a sua substituição, atrasando ainda mais o início das aulas a várias disciplinas.
O drama familiar inédito e retorcido que foi imposto este ano a milhares de professores pelo Ministério da Educação implicou que muitos tivessem de reorganizar toda a sua vida, seja ao nível da procura de uma nova residência, seja na preparação do ano escolar dos seus filhos, obrigados, muitos deles a mudar de escola, apenas devido à colocação tardia e extravagante dos seus pais.

Consideraram muitos Conselhos Executivos que, face ao sucedido, se justifica que todos acolhamos formas de prestar apoio aos docentes deslocados para esta e outras escolas. Por elementar sensatez. Não é irrelevante assegurar a estes professores que se preparam para iniciar funções nesta cidade, alguns preciosos dias para melhor organizar a sua vida e assim iniciar, com a menor atribulação possível, o seu ano familiar e profissional.

Para quem vive nos dias da escola isto é claro como água.
A outra margem desta ponte vê-se bem daqui.
publicado por Rui Correia às 11:51
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3 comentários:
De Lus Filipe Redes a 14 de Outubro de 2004 às 01:38
Quanto à ponte quebrada, não concordo. Pelo menos eu passei-a sem problemas de maior.
De lfredes a 14 de Outubro de 2004 às 01:35
Tens toda a razão: com que critério é que o conselho executivo iria negar essa ponte aos professores? Ainda por cima, quando numerosas escolas ainda não tinham começado a funcionar normalmente, e outros tantos conselhos executivos ponderavam a possibilidade de iniciar ou não o ano lectivo? Conceder ou não a ponte é um poder inócuo, não utilizável, que o governo delega nas escolas.
De frangipni a 10 de Outubro de 2004 às 22:25
Achei muito curioso o tamanho do primeiro parágrafo.

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