Sábado, 5 de Fevereiro de 2005

homo electus VI

Quando Guterres se demitiu em Dezembro de 2001, fê-lo por achar que o povo tinha manifestado abertamente uma condenação do governo socialista. A leitura é discutível mas a hecatombe foi incontestável. Se o não tivesse feito, aquilo que se seguiria era um país com um governo que não poderia ser senão de gestão, até novas eleições, agendadas então para Outubro de 2003, ou seja, quase dois anos de um poder coxo e vacilante. Esse era um governo com uma fasquia ética, aliás, muito elevada. No dia 5 de Março de 2001, três horas após a ponte de Entre-os Rios ter desabado, às 4h e 11m da manhã, Jorge Coelho demitira-se, consternado, por imposição de consciência. Desautorizado pelo povo, Guterres procurou não sujeitar Portugal a um longo "pântano político". Não conseguiu aceitar dirigir um governo, condicionado por uma tal desautorização.

Desautorizado pelo Presidente da República, Santana fez o mesmo. Demitiu-se. Não conseguiu aceitar dirigir um governo, condicionado por uma tal desautorização. A leitura é discutível mas a hecatombe foi incontestável. Ver Santana Lopes a acenar na TV com a frase de Guterres é um acto falhado que só se consegue explicar por aquele convencimento, que alguns políticos consideram infalível, de que os eleitores ou têm fraca memória ou não têm mesmo memória nenhuma.
publicado por Rui Correia às 01:29
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