Domingo, 13 de Fevereiro de 2005

homo electus IX

Aqui há uns dias o nosso "guerreiro menino" - e sobre isto ainda temos de conversar - dizia que se o Dr. José Sócrates tem medo que o seu nome e cara apareçam nos outdoors das campanhas adversárias o melhor será mudar de profissão porque não percebeu ainda como funcionam as regras da "Democracia Universal, nomeadamente a americana".

É extraordinario que as regras da democracia universal, nomeadamente a americana, nação em que cada jornal, rádio ou televisão abertamente apoia ou opõe-se a um ou a outro partido ou candidato, quando se aplicam a Portugal, ou melhor: a ele, agora pareçam ao nosso guerreiro menino tão "anti-democráticas".

O que se passa é que o guerreiro menino tem razão. Nunca um governo terá sido tão obsessivamente escrutinado como o dele. Poderá ser que os jornalistas, maioritariamente de tendência esquerdista ou anárquica, simplesmente não podem com a petulância do guerreiro menino, com a sua candura calculada. Poderá ser uma conjura socialista. Poderá também ser uma pérfida conjura social-democrata. Mas poderá ser ainda outra coisa. Poderá ser apenas porque nunca um governo deu tantas razões - tanto divertimento - para ser escrutinado. Ou então poderá ser algo ainda menos subtil que tudo isto. Poderá ser porque nada dá mais prazer do que surpreender altos responsáveis a dizer calinadas. Vê-los a fazer asneiras. O povo adora isto para poder continuar a achar que os políticos não valem mesmo nadinha, que a política é o mesmo que bróculos e assim continuar legitimar o seu notório desdém pelo civismo. Pode ser, por isso, de novo, o velho dinheiro. As gaffes vendem jornais; e revistas; e publicidade. E se há Governo com uma reserva natural de despautérios é este. É inesgotável a capacidade destes governantes para cometer patacoadas. Os dislates começaram antes de tomar posse, continuaram durante a posse, durante o governo, durante o despedimento, durante a demissão e depois da demissão, durante esta campanha. Todos os dias alguém do governo devia ter estado mas é calado, para não cair ainda mais no ridículo. É impressionante. É tudo vedetas neste governo à beira mal plantado. Não há ninguém que ali trabalhe sem cair na tentação de mostrar que trabalha muito. E é sabido que ninguém faz isto, sem parecer muito idiota.

Não morro de amores por Francisco Louçã, mas foi certeiro um seu recente diagnóstico. Santana está zangado. Está sempre zangado. Com o PS. Com os radicais de esquerda. Com o Presidente da República. Com o Freitas do Amaral. Com os seus adversários internos - os da incubadora. Com o Senhor Silva. Com os mergulhos do Sarmento. Com as empresas de sondagens. Com a comunicação social, que se não trabalhasse faria melhor. Com a rouquidão. Com tudo. Contudo, resta-lhe uma pinga de esperança. É que, contra ventos e marés, aconteça em Portugal o que ele já viu acontecer numa eleição autárquica da Figueira da Foz, outra em Lisboa e mesmo noutras nações em que quem comete mais gaffes acaba por vencer, "nomeadamente na americana".
publicado por Rui Correia às 16:30
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1 comentário:
De T a 13 de Fevereiro de 2005 às 18:39
Olha espreita aqui (3ºvideo): http://www.bloco.org/index.php?option=com_bookmarks&Itemid=0&catid=1&task=view&mode=0&id=13&search=*

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