Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005

homo electus XIV

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Isto começa com o José Sócrates a insistir no único debate a dois que teve com Santana Lopes que este pêéssedê não se revê no seu líder e nesta governação, explorando o efeito “trapalhadas”. Dizia ele assim, referindo-se aos célebres cartazes onde se vilipendia a figura do líder do pêésse:

“Eu acho que isso é indigno da tradição do PSD.”

E logo a seguir repetia:

“Eu acho que isso não é bom para a Democracia. Isso resvala para uma campanha que não é própria, que não está à altura daquilo que sempre foi a história do PSD. E é por isso que acho isso muito condenável. Muito condenável e isso também será julgado pelos Portugueses. Isso será julgado pelos Portugueses. É uma página negra do PSD. Porque os líderes passam e os partidos ficam….”

e, mais à frente voltava à carga:

“Isto, como digo, é uma página negra do PSD. E, como digo… O Dr. Santana Lopes agora é líder do PSD. Mas deixará de o ser. Os partidos ficam. E quando o PSD olhar para trás e para esta campanha, onde utiliza nos seus cartazes apenas…. Como uma propaganda contra os seus adversários, envergonhar-se-á deste período da campanha.”

E, novamente:

“Esta campanha, como digo, não está à altura da história do PSD. E isto mostra bem como este PSD está irreconhecível. Este PSD não é o PSD que os Portugueses se habituaram a ver. É outro PSD….”

Ora isto é namoro. Claro está. Sócrates namora aqui um certo voto social-democrata. Pisca o olho ao militante pêéssedê que anda de convicção desfeita.

Imaginemos esse militante pêéssedê, pois, cujo entusiasmo partidário já anda desbotado de tanto enxovalho.: sempre votou pêpêdê, ádê e pêéssedê a não ser daquela vez do Freitas, e sempre saiu à rua para apitar vitórias e abanar bandeiras; esse militante que ultimamente anda perdido da cabeça porque já não aguenta ver um partido que sempre deu provas de maioridade nas mãos de uns tansos que em nada mais pensam senão, uns, em pessoalíssimas vanglórias ministeriais e que se deleitam, outros, em delírios presidenciais; um militante que assiste impotente, ao êxodo discreto dos maiores do seu partido; maiores que, pé ante pé, não querem estar por perto das decisões desta gente; um militante que repara que os grandes nomes do seu partido parecem esvair-se em sangue sempre que alguma coisa realmente importante passa para as mãos destes líderes. Líderes que não passam de mancebos tardios, fogosos por arremetidas políticas realmente estrepitosas, que os tornem definitivamente célebres e realmente os coloquem numa linha de uma qualquer História de Portugal, lugar onde julgam mesmo que merecem perdurar.

E isto resulta. Pode resultar. E a assessoria pêéssedê sabe. O pêésse pode seduzir estes votos ou, no mínimo, levá-los a ficar em casa no dia vinte. Afinal tão pouco distingue o pêésse do pêéssedê. Anda ali tudo num centro indefinido. Ainda por cima o Santana Lopes lembrou-se de dizer na têvê, aquilo dos homossexuais, deixa lá ver, como é que ele disse aquela frase que não diz nada e que diz tudo:

“O que aconteceu em Espanha, agora, de facto, com o casamento entre homossexuais, a possibilidade de adopção, que eu não sou… essa é uma matéria muito complicada, a questão de adopção de crianças por homossexuais. Com tanta criança no mundo, que não tem famílias, é uma questão muito complicada, em que não podemos ser dogmáticos, mas temos de ter princípios, valores rígidos, dizermos o que pensamos, mas aquilo em que também não temos certeza, deixarmos os processos evoluírem, a maturação do debate levar a conclusões e decidirmos…”

Não faltava mais nada. O líder pêéssedê a aproximar-se da esquerda neste ponto. Só esta frase atirou uns 2 mil votos para o lixo. Se ao menos houvesse algo realmente fracturante…

Morre a irmã Lúcia.

E é então que um assessor genial da campanha PSD se lembra de dividir as águas:

- Já sei. Vamos interromper a campanha.
- Outra vez?! – reage a entourage
- Sim. Morreu a irmã Lúcia.
- (silêncio de incredulidade)
- Pensem. O Pêésse quer votos à direita, não é?
- (hmmmm)
- A direita católica, né?
- Sim …
- Mas também os quer à esquerda, né?
- Iá… tou ver, man…
- Se nós paramos a campanha e o pêésse não pára, nós ficamos com os votos católicos.
- Iá… e se o pêésse pára a campanha lá se vão os votos mais à esquerda e vai tudo a correr para o bloco…
- E x a c t a m e n t e. Faça o que fizer, perde votos.
- Sugiro um minuto de silêncio pela irmã Lúcia.
- Qual minuto, qual quê. Dois dias inteirinhos, até ao debate na TV.
- Aprovado – clama, encorajada, a assessoria.

À saída da reunião, dois assessores
- Eu sempre gostei dos mistérios de Fátima.
- O Dan Brown vai lançar agora outro.
- Outro mistério?
- Não, man, outro livro.
publicado por Rui Correia às 13:14
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