Quinta-feira, 12 de Maio de 2005

cova

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Passei há dias por Pombal e, em conversa com um jornalista amigo que por lá mora, conclui que existe ali uma questão sobre a qual aparentemente ninguém pode falar, provavelmente temendo a possibilidade de contrariar ou importunar interesses instalados de grande poder económico. Uma questão que, porém, salta à vista, brutalmente, de todos os munícipes e visitantes. Trata-se, como é iniludível a quem quer que saia da A8 e entre em Pombal, da desventração selvagem a que tem sido sujeita a serra do Sicó. Ano após ano, a pedreira que ali se situa abre uma ferida imensa naquele vasto e magnífico espaço verde. Qualquer forasteiro, ao entrar em Pombal, é imediatamente agredido com aquela machadada ferina que vem mutilando a serra e constitui, esse sim e não outro mais comezinho, um enormíssimo escândalo ecológico e que a ninguém interessa interessar. Não porque se não comente e denuncie à boca aberta em todo o lado, mas apenas porque não se dá notícia de tal violência. Pode mesmo dizer-se que os jornais e as rádios da terra assistem com placidez e mansidão à destruição metódica e sistemática daquela serra, assim contribuindo para uma negligência cúmplice que, temo bem, o futuro julgará severamente. Presumo que a imponência evidente da destruição de que falo é mais do que suficiente para que não se suspeite de alarmismos descabidos e justifica um estudo atento e uma denúncia firme deste monstruoso aviltamento do equilíbrio ambiental da região de Pombal. É importante, continua o Sr. Presidente da Câmara a discretear, que Pombal tenha uma boa imagem de turismo no exterior. Mas, para isso, é preciso perceber que essa imagem, a primeira imagem de Pombal que salta à vista ao exterior, é a imagem da formidável sepultura que se cava diariamente na serra. É imperativo que se saiba e se estude com envergadura o impacto ambiental desta e de muitas outras pedreiras, milhares que, sem fiscalização, invadem e esburacam todos os pêdêémes de todo o país, sem vacilar. É preciso interromper aquele desmazelo. Mas o que é, sobretudo, indispensável é que não seja o medo a pôr uma pedra no assunto.
publicado por Rui Correia às 00:12
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