Sábado, 10 de Dezembro de 2005

estátua

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São três. Um é a bandeira, que tem uma divisão assimétrica entre o verde e o vermelho que a tornam imperfeitamente perfeita. Depois, é o hino, que, por ter letra tão imperfeita, um protesto contra a capitulação política de D. Carlos I ao Ultimato Inglês, vale a pena cantar. E, finalmente, o presidente da República. São os símbolos de Portugal que é o país que vivo mais, desde que nasci. Poderão ser pouco mais do que símbolos. E não são.

Como é possível querer para símbolo de um país como estes, um homem que criticava a oposição por estar sempre a criticar o governo. Um homem que clamava Deixem-nos trabalhar, como se só ele. Este homem é um arrogante.

Como é possível querer para símbolo de um país como estes, um homem que criticava a Presidência da República por estar sempre a criticar o governo e lhe chamava força de bloqueio. Este homem nunca leu ou nunca percebeu o que devia ter lido em Montesquieu. Para este homem, Tocqueville foi um turista com dinheiro a mais.

Como é possível querer para símbolo de um país como estes um homem que aprendeu a rir no dia em que um gestor brasileiro de imagem lhe disse que assim não podia ser? Este homem ri mal. Este homem não sabe rir

Como é possível querer para um país que tem a esfera armilar, um universo todo, na sua bandeira, um homem que acha que um dia destes temos mais imigrantes do que portugueses? Este homem recebe mal e não sabe como receber.

Como é possível querer para símbolo de um país como estes, um homem que nunca aprendeu a dialogar, porque raramente se enganava? Este homem está tão enganado.

O amigo Aníbal desculpe, mas Portugal ri bem, recebe melhor e engana-se muitas vezes. Não se enganou quando o rejeitou logo à primeira volta no dia 14 de Janeiro de 1996. Portugal é, como a sua bandeira e como o seu hino, imperfeitamente perfeito. Este homem não é nem uma coisa nem outra.

O amigo Aníbal, desculpe, mas o amigo Aníbal parece sempre que engoliu um garfo. Pode curvar-se. Não tem mal. Não fica mal a um homem que se curve, de vez em quando. Só se curva quem tem coluna vertebral. O amigo Aníbal, desculpe, mas o amigo Aníbal é uma daquelas pessoas para quem a diferença entre uma pedra e uma estátua é que a estátua se vende melhor.

O amigo Aníbal, desculpe, mas o amigo Aníbal não passa, não passará nunca, de um símbolo disso e de mais coisa nenhuma. Desculpe lá. Longe.
publicado por Rui Correia às 20:52
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