Domingo, 18 de Junho de 2006

copiosamente

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O Diário de Notícias avançou com uma notícia que deu um razoável brado nos meios escolares. Aparentemente os espanhóis são os alunos que mais copiam em toda a Europa. E que os alunos portugueses até nem tanto. A notícia é assim apresentada:

"Em Portugal 62,4% dos alunos universitários admitem copiar nos exames às vezes ou quase sempre. Ao mesmo tempo o País aparece também como um dos países onde a corrupção percebida é mais elevada, à semelhança do que se passa como outros da Europa do Sul. No topo da tabela que relaciona corrupção e fraude académica surgem países como Polónia (onde todos os alunos admitiram as cábulas), Roménia (96%), Brasil, Eslovénia, Espanha e França (na ordem dos 80%).

Os países nórdicos, como a Suécia e a Dinamarca, que são vistos como os menos corruptos do mundo apresentam também os índices mais baixos de alunos que copiam: mais de 95% garantem que nunca o fizeram. As excepções à regra são a Nigéria, que tem um dos mais elevados índices de corrupção e cujos alunos assumem apenas 42,6 por cento de probabilidades de copiar, e a Argentina, "alvo de várias tentativas para diminuir a corrupção" e onde a probabilidade de os alunos copiarem se situa nos 44,5 por cento."


Com isto em mente, recordo o seguinte:

faz agora aí uns bons cinco ou seis anos que estive a dirigir um projecto editorial para professores que tinha uma secção chamada riscos, que era assim uma espécie de notícias breves sobre educação. Numa delas chamava-se a atenção para um software de prevenção de plágio escolar e académico. Nessa época, cheguei a instalá-lo no meu pc e confirmar um excelente desempenho. Bastava colocar uma frase e, em alguns segundos, eram-me enunciados os diversos documentos offline ou websites onde essa frase estava lançada ou publicada, e indicada uma percentagem de plágio cometido. Plágio ou intertextualidade dolosa, desta forma qualquer tentativa dos alunos copiarem uns dos outros ou da net estava à partida condenada. A coisa funcionava mesmo.

Seis anos.

Hoje sai no público esta notícia: "Software anti-plágio promete apanhar estudantes que copiam nos exames

Um software capaz de detectar semelhanças entre documentos que permitem identificar automaticamente casos de plágio vai ser apresentado para a semana no Reino Unido, durante o segundo Congresso Internacional de Plágio. Foi baptizado Ferret (Furão) e, segundo os seus autores, consegue comparar centenas de trabalhos de estudantes em menos de um minuto.
O software foi desenvolvido em várias etapas por cientistas do Grupo de Investigação em Detecção de Plágio da Faculdade de Engenharia e Ciências da Informação da Universidade de Hertfordshire e em breve estará disponível para “download”, gratuitamente, no site do grupo, em http://homepages.feis.herts.ac.uk/~pdgroup/ .
Na sua versão mais recente (a terceira), o programa é capaz de detectar semelhanças ligeiras em documentos de texto e mesmo em código de programação. Uma próxima versão, dizem os autores no seu site, deverá permitir analisar ficheiros Word e formatos como o PDF.
Em princípio, o “software” é de fácil utilização e os cientistas salientam que, devido à forma como funciona o seu algoritmo, o Ferret pode mesmo ser adaptado a línguas como o chinês - e há já um investigador chinês a trabalhar nisso."

Tarde e a más horas? Mais vale tarde que nunca? Decidam. Maldita "agenda mediática", digo-vos. Nada se sabe até que alguém decida que agora, sim, chegou o momento de saber-se. Para quem esteja realmente interessado nestas ferramentas, úteis reitero, recomendo a consulta de www.plagiarism.org (O iThenticate e o Turnitin São dois dos programas mais eficazes).

Seis anos. Resignemo-nos com o "Mais vale tarde que nunca".

Tenho, porém, uma sugestão que me chega direitinha de ter começado este ano a pedir aos meus alunos que me entreguem trabalhos pela net. (Com algum sucesso, devo acrescentar modestamente, já que 50 trabalhos em dois meses é uma cifra muito encorajadora).

Ensinem os alunos a fazer coisas antigas, como elaborar referências bibliográficas ou referências webgráficas, como por aí dizem. Algumas regras elementares que prestigiem os autores e respeitem a propriedade intelectual. Copiar pode não ter mal nenhum e não é sinónimo de plágio ilícito. Importante é saber o que cada um dos alunos faz com o que copia. Tenho-me esforçado por garantir que os meus alunos fazem coisas pessoais com o que vão buscar aqui e ali. O que fazem com o que copiam é que amplia ou diminui a qualidade do seu trabalho. A net só existe para partilhar informações. Não é para contrariar. É uma oportunidade para os professores reverem a forma como os trabalhos dos alunos são concebidos. Só assim a coisa faz algum sentido, em meu entender. Recordemo-nos do óbvio. O importante é fazer com que descubram o que é a penicilina e não que a descubram de novo.
publicado por Rui Correia às 20:49
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1 comentário:
De dog a 23 de Junho de 2006 às 17:04
recupera comigo, rui, o substantivo "cópia": buèzes.

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