Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

babel

babel.jpg

Ao ver que, unida, a humanidade lograra construir uma torre tão alta que conseguia ascender aos céus, Deus destruiu todo aquele esforço e criou as línguas para que tal unidade não voltasse a ameaçar a sua divindade. Atravessaremos nós, hoje, um momento em que tal proximidade desafie a imperscrutável temperança divina? Em todo o caso, importa ir a correr ver o "Babel". Vale tanto a pena. Do mesmo tipo do "21 gramas". A mesma atmosfera fílmica. O mesmo desespero. O mesmo optimismo. A mesma fragilidade de tudo. A mesma precaridade da gente. O absurdo inexpugnável da existência e o ridículo invencível da esperança. O rumo que vai da luz à sombra e o caminho de regresso. Este Godot que não há meio... O mesmo grande nível. Não comprar pipocas. Para roer, basta-nos bem o filme.

Recordou-me uma coisa do Frank O'Hara:

"Instant coffe with slightly sour cream
in it, and a phone call to the beyond
which doesn't seem to be coming any nearer.
«Ah daddy, I wanna stay drunk many days»
on the poetry of a new friend
my life held precariously in the seeing
hands of others, their and my impossibilities."

_____________

"Café instantâneo com natas ligeiramente amargas
e um telefonema para o além
que não parece estar a aproximar-se.
«Ah pai, quero ficar bêbedo muitos dias»
da poesia de um novo amigo
a minha vida precariamente sustida nas mãos
videntes de outros, as suas e as minhas impossibilidades."
publicado por Rui Correia às 12:22
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