Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

manicídio

marai.jpg

Agir como se não se soubesse mais. Tomar a decisão que julgamos mais íngreme. Sepultar a prudência sabendo exactamente onde ela se acha oculta e guardiã. Não escutar o que haja de mais oracular e premonitório em cada um dos sinais que descortinamos. E por fim consagrar o caminho que a razão – essa sopa de emoção intelectual – nos receite. Sobre tudo e sobre todos. Simples e cheio de carnadura este “A herança de Eszter” de Sandor Marai. Se não invade a alma como “As velas…” ao menos devora a compleição ética de cada um de nós. A missão do livro agita: desenvolver um desacordo entre a personagem e o leitor, mas um desacordo transigente, feito de uma condescendência benigna. Recíproca. Como aceitar por amor o que a experiência impõe que se repudie? Como dizer sim a esta anuência? Como se obtém semelhante autorização? Como pode uma imprevidência produzir tamanho sentido? Novamente, de rastos a filosofia dual de Mani, o persa. Uma interrogação tranquila e suicida sobre o amor, o sinónimo maior da vida.

Uma hora e meia para isto tudo.
publicado por Rui Correia às 13:24
link deste artigo | comentar | favorito

pesquisa

 

arquivo

nós

Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
31

t&d
t&d