Domingo, 23 de Setembro de 2007

mínimo

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A propósito da dívida que todos temos aos comediantes, ontem ouvi o Larry King, (um mamífero nascido em 1933), dizer isto: when we laugh, nothing bad happens. Achei que era uma frase exacta. Por causa do mesmo, aqui há uns tempos deu-me para fazer a lista dos grandes comediantes da minha vida. Já na altura pensei: "Esqueci-me de muitos, de certeza". Mas queria, mesmo assim, tentar porque, por causa de muitos deles, hoje, rir é, para mim, um compromisso diário inadiável, sobretudo nas circunstâncias onde a sisudez sempre insiste em imperar, que é habitualmente aquela onde o profissionalismo e a seriedade menos imperam. E isso aprendi e continuo a aprender com alguém. Com muitos. Amigos, claro.

A morte do Marcel Marceau obrigou-me a perceber que o seu era um desses nomes inolvidáveis que... esqueci. Em determinada fase da minha vida, como na de tantos da minha geração, Marcel Marceau foi uma luz de encantamento, em rigor, hipnótico para nós, melgas em seu redor. A sua influência tornou-se tal que foram aos milhares, dezenas de milhares – chegando mesmo ao enjoo – os mimos que encheram as ruas de todo o mundo, vestidos à Marceau, emulando os seus números.

Sempre me cegou o modo como Marceau olhava, transportado, para as suas mãos quando elas simulavam uma flor, um pássaro, um ninho, uma fita de seda ao vento. Marceau impôs-me esse deslumbramento definitivo que é sempre a rendição às coisas mínimas.

Unir a poesia ao humor impõe o advento da ingenuidade. Que não morre. Porque a inocência é irrevogável.
publicado por Rui Correia às 13:48
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