Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

pura

Herdeiro da sua alegria, do seu ininterrupto bom humor, da sua inteira disponibilidade; herdeiro da segurança da sua despretensão; herdeiro das conversas pessoais e intransmissíveis que tivemos durante anos muito especiais em que mais e melhor nos conhecemos; herdeiro da aristocracia que a agraciava apenas por ser tão legítima e tão heraldicamente sincera; herdeiro de frases indispensáveis e vividas que precisei de ouvir e que me seguraram quando vacilei; herdeiro do seu orgulho e do estímulo que nunca me deixou de me confiar.

Herdeiro da sua idoneidade e da sua gentileza; herdeiro da melancolia iniludível que revelava quando sabia que não sabia, coisa tão rara de presenciar; herdeiro da sua capacidade de amar o seu homem da melhor forma que alguma vez conheci. E filhos e noras. Herdeiro dos seus silêncios, da sua graça - palavra tão antiga e tão escondida dos nossos dias; herdeiro da sua beleza que a impedia de ficar mal em qualquer fotografia; herdeiro do seu sorriso, assíduo e pontual, retemperador e luzente; herdeiro da sua coragem de saber dizer exactamente o que exactamente se deve dizer seja em que situação for. Herdeiro da sua presença e de como se deve estar. Herdeiro dos seus olhares, quando a sua elegante discrição procurava cumplicidades no silêncio. Sou, principalmente, herdeiro; da sua presença e por isso também da sua posteridade. Penhorado e diligente lhe serei sempre por tanto.
publicado por Rui Correia às 16:47
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