Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

saber

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Com a dedicação seriíssima de cinco dos meus alunos, celebrou-se hoje o “Dia Internacional de Comemoração em Memória das Vítimas do Holocausto”. Queríamos desta maneira recordar a dimensão humana de uma catástrofe que conduziu à eliminação física de cerca de um milhão e meio de crianças na Europa, de 1941 a 1945. Contámos algumas histórias de vidas reais dessas crianças a turmas do 9º ano e aos professores que tiveram a amabilidade de os escutar e, no fim, aplaudir.

Como sempre, a mim interessou-me o que se passa antes e o que se passa depois da récita; compreender o que sentiram e perceberam os meus alunos de tudo isto. E ser o mais fiel possível à realidade do Shoah. Contar as histórias de maneira a observar a distância e a reserva que a sua idade miúda didacticamente impõe.

Alguns colegas disseram-me que, durante a leitura, a comoção lhes foi irreprimível. A leitura foi muito emotiva e algumas lágrimas correram. Os miúdos comentaram, muito impressionados, essas lágrimas de professores seus. Isso foi muito bom para os meus alunos. E também para os meus colegas. Ao nervoso miudinho que antecedeu a leitura, seguiu-se um entusiasmo orgulhoso. Agora querem repetir o gesto, durante a semana. Tenho muito orgulho neles.

Pela minha parte, desde 2006 que este dia não passa em claro na minha escola. Desta vez pensámos nas crianças do holocausto. Estes casos reais não pretendem apenas recordar algo que aconteceu há 60 anos. A história não serve para isso. A história serve para que seja muito mais difícil que alguém nos engane com teorias mentirosas que justificam a discriminação de todas aquelas pessoas que sejam diferentes de nós. Ouvi um dia que o ódio é o irmão da ignorância. Negros, Mestiços, Mulheres, Muçulmanos, Homossexuais, Ciganos, Imigrantes, Pobres, deste partido ou daquele, tudo serve para quem sabe pouco. A história e a cultura servem para que saibamos mais do que pouco. Servem para saber que toda a discriminação assenta num único erro: não querermos saber uns dos outros. É muito mais fácil condenar do que compreender. E para isso só precisamos de fazer uma coisa: não querer saber. Não querer fazer nada.
publicado por Rui Correia às 18:44
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7 comentários:
De Cristina a 2 de Abril de 2008 às 00:04
O que me fazem rir as vossas "rosnadelas". Embora só conheça a voz de um!
De Rui a 8 de Fevereiro de 2008 às 11:24
Cala-te que isso shoa tudo a falso.
De Co Dany a 30 de Janeiro de 2008 às 19:41
não é a irrisão.
é a irruisão.
totalmente diferente.
os judeus amaricanos chamam-lhe outra coisa: é o shoa-business.
De Rui a 30 de Janeiro de 2008 às 08:04
Dizmacoisa, Dany, por que te é a irrisão tão imprescindível sempre que aqui passas? De onde te chega essa pontualidade?
De Co a 29 de Janeiro de 2008 às 19:48
ó Ruca, dizmacoisa, isso do shoa mete palestinianos?
De Rui a 29 de Janeiro de 2008 às 15:29
Obrigado Luís.
De Lus Filipe Redes a 29 de Janeiro de 2008 às 00:29
Gostei.
Precisamos de tornar a História acessível através de narrativas que nos permitam vestir a pele dos que viveram e morreram antes de nós.
"Histórias para proveito e exemplo" acompanhadas de reflexão sobre o que já aconteceu e o que pode tornar a acontecer.

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