Sábado, 1 de Março de 2008

prioridades

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O presente é um momento em que as escolas precisam de pintura, de telhados, de aquecimento, de acessos, de sinalização de trânsito, de instalação eléctrica, de canalizações, de gás e de água, de esgotos, de novos pisos para pavilhão desportivo, de equipamento desportivo, de instrumentos musicais, de auditórios, de salas específicas, de novo mobiliário, de pessoal não docente, de psicólogos e terapeutas, de avenças de manutenção de equipamento, de nova iluminação, de segurança, de revisão eco-energética, de tratamentos anti-humidade, de insonorização, de obras de salubridade, de contratos de higienização, de cacifos, de comunicações, de mais salas, de melhores salas; um presente em que as escolas, os pais, os miúdos precisam mais de escola, ou seja, de mais escolha, de ensino para adultos, de menos alunos por turma; o presente é um momento em que ninguém se recorda que a sobrelegislação e o centralismo constituem os males principais de que este país educativo amarga desde há décadas. O presente é um momento em que há muito por fazer de rudimentar e de fundamental, um momento em que é indispensável actuar e trabalhar. No terreno. Todo o terreno. Com tracção às quatro rodas.

A resposta a isto é

• rever o processo de avaliação de docentes
• criar hierarquias entre professores
• mudar o estatuto dos alunos
• unir escolas em agrupamentos
• trazer os pais para a escola
• encher secretarias com gente a mais
• adiar as reformas dos docentes
• congelar carreiras
• criar modelos impressos para tudo
• formar mais inspectores
• limitar dias de formação
• criar aulas de substituição
• distribuir muitos computadores
• alterar a organização de todas as escolas
• acabar com o ensino artístico supletivo
• integrar os alunos com deficiência no ensino regular
• criar um conselho de escolas
• criar uma agência nacional para a qualificação
• criar um conselho científico para a avaliação dos professores
• encerrar o diálogo com a principal estrutura sindical ligada à educação
• criar um sistema de formação Novas oportunidades
• desacreditar o Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua
• …


O futuro é um momento em que professores que não têm email avaliarão competências tecnológicas e informáticas de outros, em que escolas que nada têm a ver com outras desgastam um casamento que nem foi de conveniência contrariando contextos educativos estáveis, em que professores com mais experiência, titulares, são avaliados por directores que o não são, todos objecto de grelhas que registam tópicos incomensuráveis como “empenhamento”, passíveis da mais desacautelada corruptela; um futuro onde as escolas manterão os seus mais antigos estrangulamentos, a que urgirá de novo pôr o devido termo, uma escola em recobro, indefinidamente convalescente, uma escola com prognóstico reservado, onde nada se faz sobre rede escolar municipal, sobre descentralização devidamente responsabilizada e orçamentada; um futuro em que alguém voltará a recordar que o sucesso escolar tem de começar por tornar as escolas mais eficientes e que, ao fazê-lo, as estatísticas acabarão por demonstrá-lo, sem milagres, sem cartolas, sem falácia. Um futuro em que os políticos repetirão que “não vivemos já num contexto em que os equipamentos constituam a área de intervenção única das autoridades educativas”. Um futuro distintamente idêntico ao presente; envenenado. Com humidade nos ossos. Um futuro que chegará sempre, como é costume em todos os futuros, mais cedo do que o esperado.
publicado por Rui Correia às 13:34
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