Terça-feira, 4 de Março de 2008

tocante

Em 1993, convidei um aluno meu a escrever um texto sobre a história das (más) relações diplomáticas entre Portugal e o Japão. O trabalho ganhou um prémio excelente, numa iniciativa da Comissão para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses e Fundação Oriente que a Coca-cola patrocinava: o rapaz foi ao Japão e trouxe-me uma estatueta de um homem a pescar, por causa de uma vulgaridade maoísta que lhe tinha dito. Na altura, os professores orientadores não acompanhavam os seus alunos, cláusula que no ano seguinte mudou. Azar o meu. Depois, concluídos oito anos de Conselho Executivo veio o projecto Comenius, com o qual pude convidar mais dois professores e dois alunos a visitarem a Grécia e a Suécia e que nos concedeu mais de cinco mil euros; depois foi o concurso dos jornais escolares, dinamizado pelo Público, onde o jornal radical conseguiu o segundo lugar nacional, e um prémio de 2500 euros, após ter já obtido duas menções honrosas em anos anteriores. Depois foi o concurso patrocinado pela eCRIE sobre Produção de conteúdos multimedia, com o qual fizemos o Pôr do som e que foi agraciado com um prémio de 2500 euros, um projecto video-patrimonial.

Hoje estou outra vez muito contente. Saí resmungando secretamente porque me interromperam uma aula para atender um telefonema. "É do ministério", disse-me a D.Teresa, que é a única contínua do planeta Portugal que continua a tratar os alunos por "anjinhos". Lá fui, intrigado a pensar no que raio fiz agora de errado, quando percebi que o telefonema era para me dar os parabéns por causa de uma exposição que fiz com os meus alunos.

Agradeciam a nossa participação no "Desafio - Promovendo a Inovação e a Criatividade - Modalidade - Exemplo de Boas Práticas" e informavam que o júri reunira para avaliar os projectos participantes no Desafio e felicitavam "o professor e alunos participantes no projecto 'Tempo Real'”; informavam-me que este projecto representará as Escolas do 3º Ciclo e Escolas Secundárias de Portugal, numa conferência dedicada à Inovação e Criatividade, a realizar na Eslovénia, no âmbito da Presidência Eslovena do Conselho da União Europeia.

Não imaginam a consideração que foi atribuída pelos alunos a este telefonema; ficaram exultantes; foi uma chamada especialmente oportuna por ter interrompido uma aula dos mesmíssimos alunos que haviam participado no projecto. A verdade é esta: já antes recebêramos prémios; alguns deles deram-nos até dinheiro e visibilidade nacional. Mas esta foi primeira vez que me telefonaram da mi(ni)steriosa Lisboa para, simplesmente, dar os parabéns. Sem prémios, nem consolações. Simplesmente a dizer que gostaram muito. Isso foi único e deixou-nos a todos muito sensibilizados. É um bom dia para mim; é um bom dia para os meus alunos; é um bom dia para a minha escola. Estou, por isto, contente. Ficamos assim, presumo, quando o telefone toca. E é mesmo importante que continue a tocar.
publicado por Rui Correia às 15:07
link deste artigo | comentar | favorito
2 comentários:
De Rui a 5 de Março de 2008 às 08:01
Obrigado, Mané. Mas se soubesses como isto me empolga, porque nem sempre é possível aproveitar as ideias dos alunos, por inexequíveis ou excessivamente simplistas. Esta não, esta foi uma operação longitudinalmente trabalhada e concebida por eles. Exigiu de mim uma contenção que nem imaginas. E a ideia de terem tido este sucesso todo é-me risonha, pois claro. Desta vez, aprendi eu com eles, é o que é. Além disso tive o apoio de alguns colegas excelentes que me foram dando ideias - e jornais - que levava para a aula. Está a ser muito giro.
De Man a 4 de Março de 2008 às 23:09
Parabéns Rui! O projecto é excelente. Só um professor especial faz estes "cliques" aos miúdos. Realmente que telefonema fantástico. Até a mim tocou.

Comentar post

pesquisa

 

arquivo

nós

Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
31

t&d
t&d