Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

cara

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Por razões que se prendem com o facto exclusivo de gostar de estar do lado das pessoas de bem, decidi aceitar o persistente convite do Delfim Azevedo em integrar a sua lista de candidatura à Câmara Municipal das Caldas da Rainha.

Depois de eu ter dito o que disse sobre educação na convenção autárquica para que me haviam convidado, cuidei que ninguém mais do partido socialista me dirigiria a palavra. Alguns, por umas semanas amuadas, deixaram de o fazer. Ao invés, o Delfim propôs-me ficar na sua lista. Essa audácia, por tão pronta, aliciou-me, confesso-vos.

Não sei bem o que espera ele fazer com alguém tão convictamente discordante, pelo menos em três áreas, do que foi feito por este governo durante o último mandato (quase tudo em matéria de educação, o recuo envergonhado sobre a legislação anti-corrupção e o menosprezo dado à cultura). Também sempre me recordam que autárquicas não são legislativas. Além disso, também conheço os restantes candidatos à Câmara das Caldas. E, francamente, sem desrespeito, não seria capaz de votar em qualquer um deles.

Ando há muitos anos para dar o peito às balas. Dar a cara. Esquivei-me sempre com algum talento. Verdade seja dita, que nenhum momento da minha vida me seria mais desfavorável para me meter nestas coisas do que este, em que dentro de dias, se tudo correr tão bem como até aqui, serei pai serôdio de uma menina muito desejada.

Mas é nestes momentos que é imperativo procurar saber que é possível fazer política sem ser com aquele marialvismo-chico-esperto de sempre. Estou um bocado cansado de me ouvir pensar e dizer que as Caldas merecem melhor do que isto, sem fazer nada por isso.

No próximo Domingo, dia 13, no grande auditório do CCC, às 15h00 vamos apresentar o programa em que vimos trabalhando e que editaremos sob a forma de um livro para oferecer a todos.

Partilhar isto convosco, com a desimportância que tem, serve o propósito de vos dizer que, porque vos conheço bem, gostava de vos ver ali comigo e com o Delfim. A luta é a mesma, o adversário é o mesmo. Mas aqui a nível local. Estar como sempre do lado de quem contesta a arrogância, a privação de democraticidade, a falta de ideias, a inépcia e a formidável apatia cívica em que se tornou esta cidade; ela acontece por muitas razões, todas derivam de uma resignação que tem já 24 anos de idade.

Admitamo-lo. Alguma dessa resignação só foi possível por causa da desistência vantajosa de tantos homens e mulheres que se consideram, como eu, livres e independentes e que, simplesmente, querem mais e melhor do que aquilo que temos, mas acham sempre, constantemente acham, que "ainda não estão reunidas as condições para..."

Os mesmos que gostam de citar as nêsperas do Mário Henrique Leiria ou as eloquências do Niemöller.

Apareçam, amigos. Precisamos muito. Todos.
publicado por Rui Correia às 00:27
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5 comentários:
De fj a 10 de Setembro de 2009 às 11:47
serôdio foi aquele meu post sobre a política e as crianças, isso é que foi. ou pelo menos não oportuno.
De Chien a 10 de Setembro de 2009 às 07:49
Isso de não haver pais serôdios é muito discutível.
De Tito de Morais a 9 de Setembro de 2009 às 22:17
Caro Rui,

Para os dois grandes desafios, como sabes, desejo-te a maior das felicidades.

Abração
Tito
De Tito de Morais a 9 de Setembro de 2009 às 22:15
Caro Rui,

Para os dois grandes desafios, como sabes, desejo-te a maior das felicidades.

Abração
Tito
De Fernando a 9 de Setembro de 2009 às 01:01
Não há pais serôdios, quando há uma filha desejada e, no caso em apreço, merecida. Também não há políticos serôdios, sobretudo quando sabem do que falam e falam do que sabem, com a frontalidade de que és tão capaz. A política e a tua filha têm muita sorte.

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